Volatilidade deve crescer com avanço da campanha

Expectativa dos analistas é de um período mais volátil para as ações na Bolsa por causa do ambiente de incertezas

Fátima Laranjeira, O Estado de S.Paulo

04 Agosto 2018 | 04h00

Com o início mais efetivo da campanha eleitoral, a expectativa dos analistas é de um período mais volátil para as ações na Bolsa por causa do ambiente de incertezas. Além disso, o foco até meados do mês fica com os resultados financeiros das empresas referente ao segundo trimestre do ano.

Para a equipe de análise do BB Investimentos, as atenções em agosto ficam com o desdobramento das definições das candidaturas e efeitos das coligações partidárias para a eleição do presidente da República. “A volatilidade tende a se elevar com questões eleitorais e o fluxo de capital externo será taxativo”, afirmam os analistas.

Eles destacam a redução da liquidez na Bolsa, que vem ocorrendo por conta das férias no Hemisfério Norte e deverá continuar. “A temporada de balanços prosseguirá até meados de agosto. Serão vistas com melhores olhos as empresas que se mostrarem mais resilientes aos efeitos das turbulências de maio e as que continuarem a entregar os resultados pressupostos.” Em sua lista de preferências, o BB deixou só a Vale do mês passado, colocando Engie Brasil Energia, Braskem, Porto Seguro e Magnesita.

Na visão de Sergio Goldman, analista da Magliano Invest, o objetivo neste período do ano é manter ou mesmo elevar um pouco a exposição às ações defensivas. “Continuamos com a percepção de que o cenário até as eleições é bastante incerto. Com relação à temporada de resultados das empresas, ao final dela, consideraremos voltar a olhar com carinho ações que sofreram muito com a greve dos caminhoneiros”, diz. “A greve foi um evento não recorrente e possíveis impactos sobre os resultados do trimestre não deverão se repetir.”

O período eleitoral tende a ser bastante intenso, lembra o analista da Lerosa Investimentos Vitor Suzaki. “Deve haver muita volatilidade, com início efetivo das propagandas gratuitas e expectativa do mercado em relação ao posicionamento dos eleitores nas pesquisas.” A Lerosa retirou Multiplan de sua carteira para incluir Pão de Açúcar, por conta da perspectiva de crescimento já observado nos últimos trimestres fruto da expansão do atacarejo, além da retomada importante das operações no multivarejo, com ganho de market share . 

Já a Guide alterou sua carteira semanal, tirando Santander e Lojas Renner para incluir B3 e Duratex. Os analistas lembram que a Bolsa mostrou um volume financeiro mais forte neste início do ano. “Acreditamos que o volume de negócios deverá continuar a crescer ao longo de 2018.” Sobre Duratex, eles pontuaram que os últimos resultados da companhia seguem refletindo o impacto positivo das iniciativas de corte de custos, aumentos de preços e de uma demanda melhor do que nos últimos períodos. “Esses fatores contribuíram para sua geração de caixa operacional e avanço de margens.” 

A XP mudou suas top picks incluindo Itaú Unibanco, Localiza e Vale. As outras indicações são B3 e Equatorial. A equipe de análise da XP diz que o Itaú tem boa exposição à atividade no Brasil. “Enxergamos fluxo crescente de dividendos à frente com a retomada da economia.” A equipe indica também a Vale, por conta do cenário positivo de minério de ferro e níquel acima das expectativas, e rumando “ao maior ciclo de dividendos da história da empresa”. Sobre Localiza, eles lembram a gestão de qualidade e que se beneficia de uma potencial recuperação econômica.

 
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