Volks reduz jornada de trabalho no ABC

A Volkswagen vai diminuir de 40 para 34 horas semanais a jornada de trabalho de aproximadamente 6 mil funcionários da fábrica de São Bernardo do Campo (SP) a partir da próxima semana. A mudança é válida para os trabalhadores das linhas de montagem do Fox, Polo, Saveiro e Gol durante o mês de agosto. O motivo para a mudança é a queda nas vendas, segundo informou ontem o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.A medida deve reduzir a produção de veículos em 11,4% - de 22.080 unidades para 19.200 no mês. A média de produção atual é de 960 veículos ao dia. A nova jornada começa a vigorar a partir da próxima segunda-feira. Os funcionários com jornada reduzida trabalharão de segunda a quinta-feira. As linhas com redução de jornada não funcionarão nos dias 4, 11 e 18 de agosto. A produção da perua Kombi continuará a operar normalmente, assim como as áreas de produção de motores, câmbio e transmissão. Não foi confirmada a jornada para a área de engenharia.O diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, explica que a redução de jornada era uma das medidas previstas no acordo de estabilidade firmado em 2001 entre o sindicato e a empresa. "Até o dia 23 de cada mês, a Volks tem de anunciar qual será a jornada de seus funcionários," explica. "Como as vendas não atingiram o resultado previsto, a empresa se comprometeu pelo acordo em não demitir ninguém, mas a ajustar a carga de trabalho dos funcionários." Não haverá redução salarial.O acordo de estabilidade entre Volkswagen e trabalhadores é válido até 21 de novembro. "A partir desta data, a empresa poderia adotar a relação 'normal' de mercado e demitir pessoas no caso de um desempenho fraco. Mas estamos negociando para renovar o acordo de estabilidade para que isso não ocorra," afirmou Santana. Em recentes reuniões com a direção da empresa, porém, essa medida foi descartada.ReestruturaçãoA montadora anunciou, em maio, a demissão até 2008 de cerca de 4 mil a 6 mil funcionários . O plano de reestruturação prevê também uma economia de 25% no custo atual de produção, com redução de salários e corte de benefícios. Se as medidas não forem implementadas, o grupo ameaça fechar uma de suas cinco fábricas no País.A questão foi defendida recentemente em Brasília pela diretora para assuntos governamentais da Volkswagen, Elizabeth de Carvalhaes. Ela afirmou em audiência na Comissão de Desenvolvimento, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados que a reestruturação é "absolutamente imprescindível e que, se não for feita, a questão não será mais a demissão de 6 mil funcionários, mas de todo o contingente de empregados da montadora."Segundo ela, a situação deficitária da Volks é conseqüência da estratégia adotada no passado, estimulada pelo governo, de voltar parte da produção para o mercado externo. Hoje, a empresa exporta 43% da sua produção e, com o nível atual do câmbio, tem registrado prejuízos. Nenhum representante da Volks foi localizado ontem para comentar o assunto.

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