Volks vai reduzir exportações por causa do câmbio

A diretora para Assuntos Governamentais da Volkswagen, Elizabeth de Carvalhaes, atribuiu ao câmbio a atual situação de "constrangimento financeiro da empresa". Ela explicou que a Volks vem atravessando uma situação deficitária devido à estratégia desenvolvida no passado, de voltar grande parte da produção para a exportação. "A receita cambial hoje não cobre os custos de produção. Por isso temos que reestruturar a exportação de forma a parar de gerar prejuízo no caixa da empresa", explicou.A diretora da Volks veio a Brasília atendendo a convite para participar de audiência pública na Câmara dos Deputados. Ela vai informar aos parlamentares os motivos que levaram a empresa a formular o plano de reestruturação que, além de reduzir as exportações da empresa até 2008, deverá levar também ao enxugamento do seu quadro de pessoal em 4.000 a 6.000 funcionários, também até 2008.De acordo com Elizabeth de Carvalhaes, a Volkswagen exporta, hoje, 43% da sua produção, e é esse grande volume que terá que ser reduzido. "Nem a política nem a economia permitem acreditar que vai haver um reposicionamento do câmbio", argumentou. Segundo ela, a empresa é responsável por 60% das exportações das montadoras filiadas à Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).Carvalhaes disse, ainda, que a redução das exportações trará impacto no ambiente de trabalho, daí as negociações com os sindicatos. Segundo o gerente corporativo de Relações Trabalhistas, Nilton Júnior, ainda não foi efetivada nenhuma demissão por conta do plano de reestruturação. As demissões já ocorridas na fábrica de Curitiba, da ordem de 300 pessoas, segundo ele, são movimentações normais. Na maior fábrica da Volks no País, a de Anchieta, em São Bernardo do Campo, as demissões só serão feitas a partir de novembro, porque até lá está em vigor um contrato de garantia de trabalho com o sindicato. As primeiras demissões deverão ocorrer na fábrica de Taubaté e devem ser anunciadas até a próxima semana.Na audiência no Congresso Nacional, a diretora de Assuntos Governamentais da Volks garantiu que a empresa não fará nenhum pedido ao governo. "A Volks não vai pedir nada ao governo", assegurou. Ela, entretanto, criticou a política cambial brasileira. "O Brasil precisa rever sua política cambial se, de fato, quiser ser o pólo exportador anunciado no passado", afirmou.Ela disse, também, que ajudaria muito a mudar o cenário com que trabalha a empresa se, por exemplo, ela tivesse condições de elevar drasticamente as vendas no mercado interno. "Temos um produto que é violentamente tributado, o que impede o crescimento das vendas no mercado interno", observou.

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