Votação do ajuste fiscal e cenário exterior fortalecem dólar

Votação do ajuste fiscal e cenário exterior fortalecem dólar

Expectativa com o andamento do ajuste fiscal no Congresso também influencia a Bolsa, que opera em queda nesta terça-feira

Ana Luísa Westphalen e Silvana Rocha, O Estado de S. Paulo

26 Maio 2015 | 10h38

(Texto atualizado às 13h45)

O dólar disparou ante o real nesta terça-feira, 26, atingindo máxima de R$ 3,15 (alta de 1,90%) no mercado à vista neste começo de tarde. 

Os bons dados divulgados nos Estados Unidos associados à piora dos indicadores do setor externo do Brasil em meio a incertezas sobre a condução do ajuste fiscal no Senado e as condições da rolagem do vencimento de swap cambial de julho induziram até agora uma demanda defensiva. 

O alta do dólar se intensificou ainda mais no fim da manhã e foi atribuída ao fim do efeito de operações de entrada de dólares no mercado à vista no período, que teria ajudado a conter a valorização mais cedo. 

Nos Estados unidos, sobretudo os dados sobre atividade, vendas de moradias e confiança do consumidor, com exceção da queda do PMI de serviços, deram impulso ao dólar, ao reforçar a percepção de que os juros vão subir em algum momento neste ano. Ontem, o vice-presidente do Federal Reserve, Stanley Fischer, afirmou que, quando começar a subir os juros, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) deve seguir uma trajetória "gradual e relativamente lenta" de alta nas taxas ao longo dos próximos três ou quatro anos, quando deverá alcançar entre 3,25% e 4%. Hoje, Fischer disse que o Fed vai tentar minimizar os efeitos adversos da alta dos juros.

Já internamente, a tramitação das medidas de ajuste fiscal no Senado a partir de hoje nutre muitas dúvidas, a despeito da forte articulação dentro do governo em busca de estratégias para obter dentro do próprio PT e do Congresso como um todo. O líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), afirmou que não vai pedir a inversão de pauta para apreciar por último a Medida Provisória 664 no plenário da Casa. Nos bastidores, o Palácio do Planalto trabalha para adiar a apreciação da MP depois que a Câmara incluiu, à revelia do governo, a fórmula de aposentadoria 85/95. O intuito é deixá-la perder a validade, uma vez que a MP caduca no dia 1º de janeiro.

Pela previsão inicial, a primeira medida provisória da pauta é a 665, que restringe acesso ao seguro-desemprego e ao abono salarial. Em seguida, a MP 664, que trata da pensão por morte e que foi incluída a alternativa ao fator previdenciário. Por último, a MP 668 trata, entre outras coisas, do aumento das alíquotas de PIS/Cofins de produtos importados.

O operador Durval Correa, da corretora Multimoney, disse que as contas externas ruins e a questão política interna trazem preocupações, além da expectativa de alta de juros nos EUA fortalecida pelos dados divulgados hoje.

Bolsa. Em uma trajetória muito alinhada à dos mercados acionários no exterior, a Bovespa cai desde a abertura contaminada pela piora do humor dos investidores internacionais. Internamente, o índice à vista é pressionado por Petrobrás e bancos, mas a grande maioria das ações que compõem o índice à vista operam no negativo. 

As exceções são os papéis da Vale e siderúrgicas, que sobem quase 2,0% beneficiados pela recuperação dos preços do minério de ferro no mercado à vista chinês, amenizando parte da queda do Ibovespa. Por volta de 13h45, o Ibovespa estava em queda de 1,42%, aos 53.832 pontos. 

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