Wall Street devolve ganho da abertura e aguarda PIB

As bolsas norte-americanas ensaiaram continuidade dos ganhos dos últimos meses na abertura, mas recuaram, sinalizando pequeno ajuste e realização de lucros, depois de os indicadores econômicos mais importantes do dia não provocarem grande susto. Na ressaca de um comunicado do Fed (banco central americano) considerado benigno e do 12º recorde de fechamento ontem do índice Dow Jones dos últimos 17 pregões, os investidores deixaram de lado também o excelente resultado da ExxonMobil, a maior companhia de petróleo do mundo, o qual havia sustentado os negócios com os índices futuros. Às 12h27 (de Brasília), o índice Dow Jones caía 0,20%, o índice Nasdaq recuava 0,18% e o S&P 500 cedia 0,10%. "O mercado foi muito longe e muito rápido. Do ponto de vista técnico, o índice S&P 500, por exemplo, está excessivamente comprado no curto prazo, portanto, definitivamente você verá alguns investidores realizando lucros nesses níveis", disse Michael Malone, analista da Cowen & Co à agência Dow Jones. "No entanto, o que temos visto é que os investidores estão comprando a partir de qualquer enfraquecimento, portanto, não acredito que esta pressão será algo que irá durar". Os indicadores econômicos não alteraram as apostas embutidas nos contratos futuros dos Federal Funds, de manutenção da taxa de juro em 5,25% na reunião de dezembro. Embora os números sobre as encomendas de bens duráveis e de vendas de novas residências em setembro tenham sugerido solidez econômica nos EUA, uma leitura mais atenta indicou que, em ambos, não há sinalização definitiva de um ritmo preocupante da atividade. As encomendas de bens duráveis, por exemplo, cresceram em grande parte por conta de uma forte disparada nas encomendas no setor de transportes. Já a apreciação das vendas de imóveis foi acompanhada por queda nos preços dos imóveis. As encomendas de bens duráveis saltaram 7,8% em setembro, em grande parte por conta da disparada nas encomendas no segmento de transportes (+27,6%), especificamente de aviões comerciais (+183,2%). Excluindo o segmento de transportes, as encomendas cresceram 0,1%. As vendas de imóveis novos avançaram 5,3% em setembro, superando as previsões de que ficariam inalteradas, refletindo queda nos preços dos imóveis. Em base anual, as vendas dos imóveis em setembro foi a mais pronunciada desde dezembro de 1970. Os indicadores também ampliaram a ansiedade dos investidores com o PIB do terceiro trimestre, que será divulgado amanhã, provocando especulações de que poderá mostrar um crescimento melhor da economia. "Acredito que a antecipação, implícita no mercado, é de que a inflação deve estar em ritmo de desaceleração, mas a economia pode estar em ritmo mais forte do que se esperava. Observe o lucro das empresas para o último trimestre. Como, numa economia com taxa de crescimento de 2%, podemos manter esse nível de lucro?", disse um especialista em Nova York. A ExxonMobil informou que obteve lucro líquido de US$ 10,49 bilhões (US$ 1,77 por ação) no terceiro trimestre deste ano, 5,7% maior que o de US$ 9,92 bilhões (US$ 1,58 por ação) obtido em igual período do ano passado. O resultado superou a média das estimativas de analistas consultados pela Thomson Financial, de lucro de US$ 1,59 por ação. A receita recuou 1,12% nessa base de comparação, passando de US$ 100,72 bilhões para US$ 99,59 bilhões. Com informações da Dow Jones e de outras agências internacionais.

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