WEG vê chance de migrar para Novo Mercado da Bovespa

Entre as companhias que anunciaram recentemente a intenção de ingressar no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), a WEG é a que está mais próxima das exigências do segmento e das expectativas dos investidores sobre governança diferenciada, pois já está listada no nível 1 da Bovespa, no qual as companhias se comprometem, principalmente, com melhorias na prestação de informações ao mercado e com a dispersão acionária. "A filosofia da WEG sempre foi tratar o acionista como um sócio, a quem devemos informações e temos que entregar resultados", declarou o diretor de Relações com Investidores, Alidor Lueders. Segundo ele, a melhora no nível de governança já vinha sendo estudada pela fabricante de motores elétricos e geradores há algum tempo. Além disso, em eventos no exterior, o executivo recebia sinalizações de investidores estrangeiros para que a companhia adotasse padrões mais elevados de transparência. "Chegou-se à conclusão que esse era o momento", disse o executivo. "Temos que aproveitar o momento psicológico favorável do mercado e a boa fase da WEG." O diretor afirmou que a empresa não tem planos de captar recursos por meio de uma oferta primária. "Estamos com uma situação de caixa confortável." Haverá, sim, uma operação secundária, com a venda de papéis em poder da Previ e de alguns membros das três famílias fundadoras, o que elevará ainda mais o grau de pulverização na bolsa. Atualmente, 35% do capital da WEG está em circulação no mercado, já atendendo dessa forma a exigência de free float (fatia de ações negociada em mercado) mínimo de 25% prevista no Novo Mercado. Lueders esclareceu ainda que a conversão de ações preferenciais (PNs) e ordinárias (ONs) não alterará a estrutura do controle, que continuará em poder da WEG Participações, holding pertencente às famílias fundadoras. Fosfértil Já o caso da Fosfertil é bastante diferente. A produtora de insumos para fertilizantes propôs aos seus acionistas no final do ano passado uma reorganização societária com a Bunge Fertilizantes, que previa a conversão de ações PN em ON, tag along (proteção aos acionistas minoritários no caso de venda do controle acionário) de 100% e dividendo mínimo de 27,5% do lucro. Porém, a companhia não planejava, inicialmente, entrar no Novo Mercado. A reestruturação empacou porque os outros dois sócios da Bunge no controle da Fosfertil, Cargill e Yara, não aceitaram a proposta devido à diluição que a reorganização acarretaria, o que deixaria o controle exclusivamente nas mãos da Bunge. A Bunge decidiu então buscar o apoio dos minoritários com fatias relevantes na Fosfertil, particularmente as administradoras de fundos de investimento Hedging-Griffo e Skopos, que possuem 33,5% do capital preferencial. Estas só oficializaram seu apoio à reestruturação depois que a Bunge concordou em listar a Fosfertil no Novo Mercado. "Nós analisamos a operação com calma e chegamos à conclusão que ela é vantajosa. Mas colocamos a exigência de que a Fosfertil entrasse no Novo Mercado, o que foi prontamente aceito pela Bunge", relatou na época o gestor da Skopos, Pedro Luiz Cerize. Para ele, as regras do Novo Mercado são uma importante proteção para os minoritários, especialmente contra eventuais abusos por parte do controlador. "Não vejo problema nenhum em ter apenas um controlador. Muito pelo contrário. Não haverá mais os conflitos que existiam antes, quando o controle era tripartite. Mas é essencial que essa nova estrutura seja no Novo Mercado, onde existe uma série de proteções, como a Câmara de Arbitragem", lembrou. Apesar do apoio dos minoritários à operação, a Cargill obteve uma decisão na Justiça que impede a reestruturação. O presidente da Bunge Fertilizantes, Mário Barbosa, disse que companhia está respeitando a decisão e que a retomada do processo depende agora exclusivamente de um novo posicionamento da Justiça. "Há uma liminar suspendendo a operação. Estamos respeitando essa liminar e tentando cassá-la", afirmou Barbosa. "Por enquanto, está tudo parado." Barbosa garantiu que, se a reestruturação for liberada, a nova companhia continuará com capital aberto, contrariando movimento observado no setor de fertilizantes nos últimos anos, quando diversas empresas, inclusive a Bunge Brasil, deixaram a Bovespa. "Estamos dando um sinal claro ao mercado que vamos continuar na Bolsa, inclusive dando maiores direitos aos minoritários e aumentando a transparência."

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