Werlang: meta de inflação de 4,5% em 2010 é de bom tamanho

Segundo o ex-diretor do BC, ainda é cedo para o Brasil ter uma meta mais baixa

Luciana Xavier e Lucinda Pinto,

25 de junho de 2008 | 17h33

O vice-presidente executivo do banco Itaú defende que a meta de inflação de 2010 seja mantida em 4,5% na reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) da próxima segunda-feira. "4,5% está de bom tamanho", disse. - Ouça entrevista com Sergio Werlang Segundo ele, quanto mais houver certeza da estabilidade no longo prazo, melhor. "Ainda é cedo para o Brasil ter uma meta mais baixa. E hoje a meta de 4,5% é um número pequeno se comparado com a inflação em outros países", acrescentou. Para Werlang, o sistema de meta de inflação não está passando por seu grande teste tampouco pelo primeiro teste. "O sistema no Brasil já passou por situações mais complexas. E o BC é um dos mais ativos do mundo. Tomou a atitude de parar com a queda de juros e agora de aumentar os juros na frente de outros BCs. A única lição importante a ser aprendida do episódio atual é que não se deve utilizar como meta de inflação índice onde se expurga alimentos e combustíveis", explicou. Segundo Werlang, considerado o pai do sistema de metas de inflação, é preciso refinar o modelo, adotando um índice cheio ou núcleo com médias aparadas e não de exclusão, comentou o ex-diretor do BC. O executivo afirmou que o IPCA de 2009 deve ficar em 4,5%, mas cresceu o risco de superar o centro da meta diante dos números cada vez mais salgados e surpreendentes de inflação. Segundo ele, se o BC resolver mirar no centro da meta, talvez haja necessidade de um aperto monetário maior. "Não sei se o BC vai mirar diretamente em 4,5%. Mas se a inflação do ano que vem cair de 6,5% para 4,5% ou 4,6%, são quase dois pontos porcentuais, é uma queda grande", avaliou. Câmbio - O dólar rompeu a barreira de R$ 1,60 e a trajetória de queda tende a continuar não somente porque há um movimento global de enfraquecimento do dólar, mas também porque "há uma combinação ruim de política monetária e política fiscal" no Brasil, segundo Werlang. "A pressão (no câmbio) só vai diminuir se o governo gastar menos", afirmou.  De acordo com Werlang, o real está "artificialmente valorizado". "Há uma política monetária apertada para combater a inflação e o Banco Central tem que fazer isso mesmo. Acho que pode subir os juros em mais dois pontos porcentuais ainda este ano (para 14,25%). Mas no restante do setor público há expansão de gastos, que gera um câmbio valorizado. É preciso um corte no aumento de gastos", comentou. Werlang disse que o Banco Central pode e deve continuar com compras de dólar no mercado à vista. "O BC poderia comprar um pouco de dólares. O real valorizou-se muito por conta da pressão do juro." Selic - Werlang disse não estar convencido de que o BC deva aumentar a dose de aperto monetário para 0,75 ponto porcentual na reunião de julho. "Se o Banco Central continuar com alta de 0,50 pp por um bom tempo, terá o mesmo efeito no médio prazo", argumentou. No entanto, o executivo admite que o resultado do IPCA-15 de junho, que subiu 0,90%, piora o cenário de inflação para 2008 e pode alterar o ciclo de alta de juros. Werlang, que esperava que o IPCA fechasse em 6,30% em 2008, já considerando reajuste de gasolina e diesel no final do ano. Após o IPCA-15, ele elevou sua projeção para 6,50% e também sua avaliação de que o risco de a inflação romper o teto da meta ficou maior. "Não me surpreenderia se o BC considerasse agora um aumento de 0,75 pp da Selic", disse. Para Werlang, o IPCA-15 surpreendeu, mas não a ponto de deixar o relatório trimestral de inflação defasado. "O relatório não ficou velho. Há informações importantes", disse. O ex-diretor do BC, no entanto, admitiu que as projeções deverão ser revistas após o número do IPCA-15. EUA - Werlang disse que o Federal Reserve (Fed) poderá começar a subir juros em setembro deste ano. Segundo ele, o banco central norte-americano deverá esperar que as situações de "aperto de crédito" e do mercado imobiliário estejam mais perto da normalidade antes de começar com o aperto monetário. "Mesmo que o Fed não o faça em setembro, será inevitável um aumento de juros no início de 2009", afirmou. Na reunião deste mês, o Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve (FOMC) decidiu manter sua taxa de juro de curto prazo pela primeira vez desde a metade do ano passado em 2% e expressou crescente preocupação com relação a inflação e as expectativas para a inflação. Como conseqüência da decisão do Fed, Werlang acredita em um enfraquecimento adicional do dólar ante outras moedas, inclusive o euro, e que o movimento deve ser revertido com o início de aperto monetário nos Estados Unidos e outras economias. "Há possibilidade de o Banco Central Europeu aumentar os juros antes do Fed", disse, o que resultaria numa desvalorização do euro ante o dólar.

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