WSJ: CSN fará oferta por fábrica da Arcelor Mittal nos EUA

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a norte-americana Esmark, empresas que travaram uma batalha em torno da Wheeling-Pittsburgh no ano passado, estão entre as siderúrgicas que vão disputar a fábrica Sparrows Point, perto de Baltimore (EUA), da qual a Arcelor Mittal terá de se desfazer. A fábrica em questão pode produzir 3,9 milhões de toneladas de aço por ano, incluindo 500 mil toneladas de lâminas de estanho que são utilizadas em latas para comida e tinta, entre outros produtos. O preço pode chegar a US$ 2 bilhões, segundo algumas fontes.O principal executivo da CSN nos EUA, Luiz Migliora, revelou que a empresa brasileira é uma das interessadas na Sparrows Point e que pretende crescer globalmente nos EUA e na Europa. O presidente e executivo-chefe da Esmark, Jim Bouchard, também confirmou que a companhia é uma das que fará oferta pela fábrica da Arcelor Mittal.Em relação à Wheeling-Pittsburgh, Migliora falou que foi um erro a CSN não ter ficado ao lado do sindicato num primeiro momento, "então eles viraram nossos inimigos". Embora não envolvido ou encarregado da oferta pela Sparrows Point, ele disse que todos os lados envolvidos no processo compreendem a importância do sindicato. "Eu nunca tentaria nada sem antes ir ao sindicato."Em 20 de fevereiro, o Departamento de Justiça dos EUA determinou que a Arcelor Mittal venda a Sparrows Point para cumprir com regras antitruste e ir adiante com o processo de fusão. O bilionário Lakshmi Mittal está concluindo a aquisição de US$ 33 bilhões da Arcelor e tem um porcentual muito elevado da capacidade de estanho nos EUA, de acordo com as autoridades. A gigante global tem até 21 de maio para vender a fábrica norte-americana, prazo que pode ser ampliado em mais 60 dias.A CSN tem reservas de minério de ferro de alta qualidade e produz placas laminadas a quente, mas tem mercados limitados. A companhia brasileira poderia embarcar as placas para mercados mais estabelecidos, onde finalizaria e venderia o produto. A Sparrows Point "faz sentido" para eles, disse Nick Tolerico, ex-representante comercial do governo e executivo da alemã ThyssenKrupp na América do Norte.Muitos lembram que a CSN ficou no lado perdedor das disputas pela Wheeling-Pittsburgh e pela britânica Corus, comprada pela indiana Tata Steel por US$ 12 bilhões."Como no beisebol, com 3 a 0, você está fora", disse Tolerico, sugerindo que outra derrota pode transformar a CSN de compradora em alvo de aquisição. Mas ele acredita que a CSN será "agressiva" no caso da Sparrows Point, um ativo que pode se encaixar naturalmente com a empresa brasileira.Outras companhias estrangeiras que também teriam interesse na fábrica são as russas Severstal e Evraz, que já têm operações nos EUA, as indianas Tata, JSW e Ispat e as chinesas Wuhan e Anshan. A Usiminas também faria parte do grupo de interessados. As informações são do The Wall Street Journal, citadas pela agência de notícias Dow Jones.

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