YPF já perdeu 40% do seu valor de mercado desde a expropriação

Companhia já sofreu perdas avaliadas em US$ 2,7 bilhões e está sem capacidade de investimento

Ariel Palacios, Correspondente,

16 de abril de 2013 | 19h04

BUENOS AIRES – Há exatamente um ano, o governo da presidente Cristina Kirchner enviou ao Parlamento um projeto de lei para expropriar 51% das ações da companhia petrolífera YPF, que desde 1999 pertencia à espanhola Repsol. No anúncio, na Casa Rosada, com uma platéia de ministros e deputados e cânticos nacionalistas, além de marcha do Partido Justicialista (Peronista), houve promessas de "recuperação da soberania energética" e de substanciais investimentos na empresa petrolífera.

Mas, o cenário otimista prometido pelo governo Kirchner até agora não se concretizou, pois empresa está perdendo valor desde que começaram os primeiros rumores sobre sua expropriação, em janeiro do ano passado. Na época a empresa tinha valor de mercado de US$ 15,5 bilhões. No momento do anúncio da expropriação, a empresa havia perdido quase metade de seu valor, passando a US$ 8 bilhões.

Desde o envio do projeto para o Congresso Nacional e a aprovação de sua expropriação, as ações da YPF perderam 40% do valor na Nova York. Atualmente ela vale US$ 5,2 bilhões, o que indica que nos doze meses de administração estatal ela já perdeu US$ 2,7 bilhões.

Os investimentos prometidos ainda não ocorreram. Sem fundos e sem conseguir a esperada parceria com a Petrobrás e a PDVSA, a presidente Cristina Kirchner teve de buscar respaldo entre investidores dos Estados Unidos. Desta forma, conseguiu atrair a atenção da Chevron. No entanto, o governo ainda não conseguiu obter da empresa americana os US$ 4 bilhões que precisa para os investimentos destinados a desenvolver a jazida de gás de xisto de Vaca Muerta, na província de Neuquén.

No quarto trimestre de 2012 a produção de petróleo da YPF caiu 4,9%. A produção de gás encolheu em 2,7%.De quebra, apesar das promessas de "preços populares", a empresa implementou aumentos de 25% no preço de seus combustíveis.

Além disso, a YPF enfrenta um processo aberto pela Repsol nos tribunais internacionais. A empresa exige que o governo Kirchner pague a indenização pela expropriação realizada. Acionistas individuais também abriram processos contra a YPF nos tribunais dos EUA.

Segundo Nicolas Gaddano, pesquisador do Centro de Implementação de Políticas Públicas para a Equidade e Crescimento (Cippec), "a Argentina sequer pagou um peso pela expropriação. Desta forma, empurrou com a barriga para a frente um problema. E assim, gera um passivo contingente. Isto consiste em graves problemas para que a YPF tenha acesso ao financiamento internacional".

A companhia petrolífera YPF foi fundada em 1922. Estatal durante 70 anos, foi privatizada em 1992 ficando na mão de empresários argentinos, além de uma participação de 20% do Estado nacional. A privatização foi respaldada calorosamente por Cristina Kirchner, que na época era parlamentar. Mas, em 1999 a empresa foi vendida à espanhola Repsol.

Tudo o que sabemos sobre:
YPFArgentinaKirchnerpetróleo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.