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340 undecilhões

Mudanças à vista com o aumento na quantidade de equipamentos que precisam de seu lugar na Internet

Guy Perelmuter*, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2017 | 05h41

O imenso potencial de um mundo realmente conectado - pessoas, dispositivos, máquinas, veículos, peças, implantes, plantações, gado - irá alterar e expandir de forma inédita o ambiente de negócios para governos, indústrias e consumidores. Praticamente todos os aspectos, tanto pessoais quanto profissionais, serão impactados pela transformação de objetos do mundo físico em entidades digitais - entidades que transmitem e recebem informações.

Quando pensamos nas redes de dados, por onde trafegam todas as nossas comunicações devidamente digitalizadas - e-mails, páginas da web, fotos, vídeos, voz, chats - pensamos em uma infraestrutura que atende seres humanos que estão trocando informações. Essa rede, cuja pedra fundamental foi estabelecida na década de 60, já não atende apenas seus inventores. Um dos maiores vetores de crescimento esperado pelas companhias de telecomunicações será gerado pela comunicação entre máquinas, sem interferência humana. É a comunicação “Machine to Machine”, ou M2M.

A versão atual do protocolo que todos os elementos conectados à Internet precisam conhecer - o chamado IP, ou Internet Protocol - é a quarta, e entrou no ar em 1983. São “endereços” que permitem que os dados que estão circulando pela rede sejam devidamente transferidos do remetente ao destinatário. Talvez você já tenha visto algum endereço IPv4 (IP, versão 4) na sua forma decimal: são quatro números de 1 a 3 dígitos separados por pontos - por exemplo, 52.0.14.116. Pois bem, cada um desses quatro números é representado por oito bits - conjuntos de zeros e uns - de forma que cada endereço completo possui 32 bits. Como existem apenas duas possibilidades para cada um desses 32 bits - ou zero ou um - então existem 2^32 combinações distintas de endereços, equivalente a aproximadamente 4,3 bilhões.

Mesmo com as diversas soluções para otimizar o uso dos endereços disponíveis, o limite suportado pelo IPv4 não seria suficiente para atender um mundo cada vez mais conectado. O número de usuários ligados à Internet cresce rapidamente e, mais importante, o número de dispositivos - computadores, modems, laptops, tablets, celulares - também. No seu relatório sobre mobilidade publicado em novembro de 2016, a Ericsson estimou que já há quase quatro bilhões de usuários de smartphones no mundo, e prevê que esse número irá atingir 6,8 bilhões em 2022.

O problema da falta de endereços está sendo resolvido desde a metade da década de 00, com a versão 6 do Internet Protocol, que já convive com a versão 4. Há diversas diferenças entre ambos, e a mais importante está ligada à quantidade de endereços permitidos por esse novo modelo: são 2^128, ou 340 trilhões seguidos por 24 zeros (340.282.366.920.938.000.000.000.000.000.000.000.000).

Resolvido o desafio do endereçamento, fundamental para o desenvolvimento da Internet das Coisas, ainda há um aspecto crítico, também em plena discussão através de diversos grupos e consórcios: a padronização das mensagens trocadas pelas máquinas, com segurança e confiabilidade. Utilizar a Internet para enviar e receber dados é uma coisa, enviar informações passíveis de serem processadas é outra. Carros autônomos, máquinas industriais, equipamentos domésticos, sensores corporais e outros elementos devem ser capazes de comunicar-se não apenas entre si, mas também com os algoritmos que irão atuar sobre as informações produzidas.

As extraordinárias oportunidades que se abrem para inúmeras indústrias com o aumento e a diversificação dos elementos que estão utilizando a Internet irão impactar negócios, processos, sistemas e pessoas. É sobre essas oportunidades que iremos falar na semana que vem. Até lá.

*Fundador da GRIDS Capital, é Engenheiro de Computação e Mestre em Inteligência Artificial

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