36% das indústrias de transformação investem para elevar produção

Levantamento feito pela FGV aponta que expansão da capacidade produtiva é o principal motivo para realização de investimentos neste ano 

Daniela Amorim, da Agência Estado,

20 de junho de 2011 | 09h50

A expansão da capacidade produtiva é o principal motivo para a realização de investimentos produtivos em 2011, segundo 36% das empresas de transformação ouvidas na Sondagem de Investimentos da Indústria da Transformação. O levantamento é um recorte especial da Sondagem Conjuntural da Indústria da Transformação, que consultou 812 empresas entre os meses de abril e maio.

De acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), nos anos em que há intenção de ampliar a capacidade produtiva, as taxas de investimento da indústria costumam ser relativamente maiores. Desde 1998, a expansão de capacidade foi o objetivo mais citado para os investimentos em apenas quatro edições: 2007, 2008, 2010 e 2011. Em 2010, a proporção de empresas prevendo investir prioritariamente na expansão de capacidade havia sido de 40%.

O segundo motivo mais citado para a realização de investimentos produtivos em 2011 foi o aumento da eficiência produtiva, apontado por 33% das empresas, contra os 28% registrados em 2010.

Já a indicação de substituição de máquinas e/ou equipamentos foi citada por 15% das indústrias agora, contra de 18% em 2010. A proporção de indústrias de transformação que declara estar sem programa de investimento foi de 16% em 2011, contra 14% em 2010.

O número de empresas que apontaram alguma dificuldade para realizar investimentos em capital fixo manteve-se idêntico ao do ano passado, 33% do montante total. O principal fator inibidor de investimentos foi a carga tributária elevada, apontada por 42% das empresas, um aumento de 16 pontos percentuais (p.p) em relação ao resultado de 2010.

A limitação de recursos próprios foi citada por 34% das empresas como a razão inibidora de investimentos, número inferior aos 42% registrados em 2010. Para 33% das indústrias entrevistadas, o custo de financiamento foi o principal fator para não investirem.

A limitação de crédito foi indicada por 24% das empresas como inibidora de investimentos, uma diminuição de 2 pontos porcentuais frente ao ano passado, enquanto o item incertezas acerca da demanda foi citado por 19% dos entrevistados.

Importações

O aumento nas importações tem causado incertezas acerca da demanda na indústria da transformação, sendo um dos principais fatores limitativos à realização de investimentos em 2011, segundo a Sondagem de Investimentos da Indústria da Transformação. Os setores mais afetados foram os de material elétrico e de comunicação; metalurgia; material de transporte; e têxtil. O levantamento é um recorte especial da Sondagem Conjuntural da Indústria da Transformação, que consultou 812 empresas entre os meses de abril e maio.

"Alguns desses setores estão se sentindo menos competitivos. A indústria automobilística, por exemplo, está sofrendo concorrência de automóveis asiáticos no mercado interno", disse Aloisio Campelo, superintendente de Ciclos Econômicos do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), da Fundação Getulio Vargas (FGV). "Ele pensa: existe uma demanda, mas ela vai ser suprida por mim ou pela fábrica chinesa de tecidos?"

Por outro lado, os setores de celulose e papel, minerais não metálicos e matérias plásticas mostraram menos incertezas sobre a demanda.

"O setor de celulose e papel não tem a ameaça externa, enquanto os outros dois são ligados à construção. Eles estão certos que o setor vai crescer, não têm preocupação com a demanda", explicou Campelo.

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