41% das empresas japonesas cogitam rever planos na China--pesquisa

Os atuais atritos entre Japão e China já levaram 41 por cento das empresas japonesas a reverem seus planos de negócios no país vizinho, e algumas cogitam simplesmente deixar a China, segundo pesquisa feita pela Reuters.

TETSUSHI KAJIMOTO E IZUMI NAKAGAWA, Reuters

20 de setembro de 2012 | 20h34

Mas só uma pequena parte das empresas disse que a melhora nas relações com o resto da Ásia deveria ser prioridade do próximo governo, a ser formado numa eleição geral esperada para agosto de 2013.

As relações entre China e Japão, as duas maiores economias asiáticas, estão no seu pior momento nas últimas décadas, por causa de uma disputa envolvendo ilhas desabitadas no mar do Leste da China.

Protestos populares na China obrigaram nos últimos dias algumas empresas japonesas a suspenderem suas operações no país, e ações de empresas do Japão com envolvimento no mercado chinês despencaram.

Mas a pesquisa, realizada junto a 400 empresas grandes e médias, das quais cerca de 260 responderam entre 31 de agosto e 14 de setembro, foi feita antes do agravamento dos protestos, que afetaram fábricas, restaurantes e redes de varejo.

Atacadistas e fabricantes de equipamentos de transportes e maquinário elétrico estão entre os que preveem mais consequências negativas por causa da piora das relações do Japão com a China e com outros países da Ásia.

Algumas empresas disseram que os problemas não se restringem aos protestos. "Estamos parados na alfândega lá embora tenhamos seguido os procedimentos corretos para exportar peças", disse uma companhia de maquinários.

Outra empresa, fabricante de equipamentos de transportes, disse ter sido excluída de uma licitação na China. "Precisamos considerar fechar nossa base na China e retirar nosso pessoal", disse uma empresa metalúrgica.

Outras manifestaram cautela quanto a investir na China, cogitando cancelar planos para entrar no mercado chinês, ou buscar locais alternativos para investimentos.

China e Japão --respectivamente segunda e terceira maiores economias mundiais-- têm um comércio bilateral em torno de 345 bilhões de dólares.

Na pesquisa Reuters, 56 por cento das firmas entrevistadas disseram que a prioridade do futuro governo japonês deverá ser estimular a economia e estabilizar o câmbio, e apenas 2 por cento citaram a melhoria das relações diplomáticas na Ásia.

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