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‘A partir de 2017, podem vir anos bons para o mercado’

Executivo é um doscotados para liderarempresa resultado de fusão com a Bovespa,avaliada em R$ 40 bilhões

Entrevista com

Gilson Finkelstain, presidente da Cetip

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

16 Julho 2016 | 05h00

No comando da Cetip desde 2013 e com papel importante para nas negociações para a fusão com a BM&FBovespa, Gilson Finkelstain é agora o principal nome cotado para suceder Edemir Pinto, presidente da BM&FBovespa, na empresa fruto da união dos negócios, de acordo com fontes.

Depois de um longo “namoro”, o acordo de R$ 12 bilhões foi fechado em abril. Juntas, as empresas devem ter valor de mercado de cerca de R$ 40 bilhões. O executivo, que prevê uma recuperação do mercado de capitais a partir de 2017, diz que a nova Bolsa será uma empresa como poucas no País: “Ela tem mercados sólidos, resilientes, que sofrem pouco com o ciclo econômico.”

Leia, a seguir, trechos da entervista de Finkelstain ao 'Broadcast', notícias em tempo real do 'Grupo Estado':

A fusão deve enfrentar resistência de órgãos reguladores?

O pedido foi protocolado no dia 28, quando começou o prazo regulamentar, que pode levar oito meses, com possibilidade de extensão por mais três. Ou seja, até o fim de abril de 2017. O mais provável é que o aval do Cade leve tempo e fique para o primeiro trimestre do ano que vem. Não tem um caso similar. Cada empresa é líder em seu mercado de atuação. Não é uma operação tradicional de escala, que gera concentrações em determinadas regiões.

O Cade pode fazer exigências para aprovar a fusão?

Há os “remédios” de concentração e os comportamentais. Os de concentração são necessários quando a operação é de escala, mas aqui é uma fusão de escopo. Se vier algum remédio, será “comportamental”. O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) deverá ficar atento à governança da companhia, à transparência de procedimentos e preços e à obrigatoriedade de prestar serviço de clearing a outras plataformas. Esse compromisso, aliás, já existe.

A fusão torna difícil a entrada de concorrentes?

Esse tipo de atividade, no mundo todo, é oferecida por poucas empresas. Depois da crise de 2008, ficaram óbvias as vantagens de se ter poucas empresas robustas, com mecanismos de controle e com uma barra muito alta colocada pelo regulador como tendência.

Por que a fusão saiu agora, após tantas tentativas?

A fusão foi uma amostra de compromisso com o País. O momento é difícil para essa decisão. Essa é uma tentativa de trazer para o Brasil uma empresa de infraestrutura mundial. O mercado percebeu o valor dessa companhia combinada.

O debate de sucessão do presidente da nova companhia já começou. Como ficará sua posição no futuro?

A Bolsa precisa fazer um processo sucessório até 2018. Está definido que Edemir (Pinto, presidente da BM&FBovespa) será presidente da nova companhia e que isso (a sucessão) será endereçado pelos conselhos ao longo desse tempo, entre o fechamento da operação e meados de 2018. O que eu farei não está desenhado ainda.

Tivemos mais recentemente algumas emissões de dívidas pelas empresas brasileiras. É um sinal de início de retomada?

Há uma esperança de que irá melhorar. É difícil ver ainda pauta de investimento nesse segundo semestre, mas há alguns indícios de que os astros estão se alinhando para essa retomada do mercado de capitais, com a queda da taxa de câmbio, aumento da confiança e queda da curva da taxa de juros. Obviamente, há ainda muitas incertezas em relação ao ambiente político. Mas as indicações são de que, a partir de 2017, poderão vir anos bons para o mercado de capitais, guardadas as devidas proporções, pois a retomada do Brasil não será fortíssima.

O mercado de capitais conseguirá, em uma eventual retomada, ser o protagonista no financiamento dos investimentos?

O mercado de capitais sempre esteve na agenda, desde o primeiro governo Lula até a crise de 2009. Mas, depois, a política de Estado ficou mais intervencionista, ocupando um pouco do espaço do mercado de capitais. A atuação do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que sempre teve uma agenda construtiva para o mercado de capitais, acabou diminuindo esse papel. Mas, agora, é esperado que o mercado de capitais tenha maior protagonismo para a agenda de investimentos. Porém, não podemos deixar de ter uma agenda de responsabilidade fiscal muito grande, para que o País possa ter juros mais baixos, que não inibam o mercado de capitais.

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