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Guy Perelmuter
O Futuro dos Negócios
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A roupa nova do rei

Depois de integrar equipamentos, prédios, indústrias e negócios, chegou nossa vez de sermos conectados à Internet - literalmente

Guy Perelmuter*, O Estado de S.Paulo

08 Junho 2017 | 05h07

A estruturação da Internet das Coisas passa pela instalação de sensores nos itens que pretende-se conectar. Sensores permitem que objetos do mundo físico sejam integrados com o mundo digital, gerando uma quantidade extraordinária de dados que por sua vez abrem caminho para novas possibilidades de negócios. Em 2017, de acordo com o Grupo Gartner, já haverá mais elementos conectados no mundo que pessoas (8,4 bilhões vs. 7.5 bilhões).

 

A disseminação das casas inteligentes, aparelhadas com eletrodomésticos integrados aos fabricantes e câmeras, termostatos e controladores acessíveis de qualquer lugar continuam se popularizando. Cidades também estão evoluindo para permitir melhor gestão do tráfego, poluição e segurança, bem como melhorias na sua infraestrutura de energia, luz, água e esgoto através do monitoramento e processamento dos dados. Em alguns lugares a coleta de lixo já é um processo integrado entre o serviço público e as próprias latas de lixo, dotadas de sensores que informam se elas precisam ou não ser esvaziadas. 

 

No campo, o monitoramento dos rebanhos, plantações e sistemas de irrigação deu origem à indústria da agricultura de precisão - aumentando a eficiência e a produtividade. As indústrias, através de melhorias na gestão de seus equipamentos e suprimentos, linhas de montagem e logística, também seguem evoluindo na direção de uma maior integração digital. 

 

A forma como nossos próprios corpos podem ser integrados à estrutura da IoT começa a ficar mais clara com a indústria dos dispositivos wearables. Com eles, podemos monitorar e armazenar dados de temperatura corporal, frequência cardíaca, consumo de calorias e padrões de sono. Esses dados podem ser correlacionados com nossos ambientes pessoal e profissional, potencialmente indicando caminhos e conexões que não eram óbvias inicialmente. De acordo com a firma CCS Insight, o mercado de wearables (ou "vestíveis") irá atingir US$ 34 bilhões em 2020 - incluindo as pulseiras fitness, smartwatches, dispositivos de realidade virtual (como o Google Cardboard, Samsung Gear, Oculus Rift, PlayStation VR e HTC Vive) e dispositivos de realidade aumentada (como o Microsoft HoloLens).

 

Uma das empresas que fabrica wearables e que procura extrair insights dos dados coletados é a norte-americana Jawbone, fundada em 1999. Cruzando os padrões de sono de seus usuários com, por exemplo, a universidade que cada um estava cursando, foi possível concluir que estudantes das universidades melhor classificadas no ranking da US News and World Report vão dormir mais tarde que seus colegas de outras universidades. Ou que moradores de zonas urbanas dormem menos que aqueles das zonas rurais. 

 

De fato, mais que informar quantas horas o usuário dormiu ou se o sono foi reparador ou não - nós mesmos temos como avaliar isso - o que se espera dos wearables é uma contribuição para saúde do indivíduo. Pessoas com diabetes, por exemplo, em breve serão capazes de monitorar seus níveis de glicose através de um relógio que analisa os fluidos imediatamente abaixo da pele utilizando agulhas com espessura inferior a meio milímetro. Atletas serão monitorados através de adesivos que irão analisar a transpiração para monitorar riscos de desidratação ou câimbras. Identificar padrões como noites melhores após dias de atividade física intensa, ou noites piores após determinado tipo de alimentação são informações que podem gerar mudanças de hábito saudáveis. 

 

Os benefícios da aplicação dos dispositivos vestíveis na área de saúde são imensos. Muito mais que monitorar nossos padrões de sono ou quantas calorias queimamos durante o dia, a penetração desses produtos cria um conjunto imenso e valioso de dados que permitem a correlação do perfil do usuário com seus hábitos e condições de saúde. Chegamos ao ponto no qual podemos usar a tecnologia não apenas para diagnosticar e tratar doenças, mas sim para antecipar e monitorar os eventos que ocorrem em nosso organismo. Será justamente sobre os impactos das mudanças em curso no setor de saúde que iremos falar na semana que vem. Até lá.

*Fundador da GRIDS Capital, é Engenheiro de Computação e Mestre em Inteligência Artificial

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