Abecip descarta nova desaceleração no crédito imobiliário

Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança avalia que setor já se recupera do menor volume de lançamentos e de vendas registrados neste ano 

Circe Bonatelli, da Agência Estado,

20 de setembro de 2012 | 09h53

SÃO PAULO - O presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Octavio de Lazari Junior, refutou a possibilidade de uma nova desaceleração no volume de financiamentos nos próximos dois a três anos. Segundo disse nesta quinta-feira em entrevista para a Agência Estado, o setor passou neste ano por um "freio de arrumação", com menor volume de lançamentos e vendas por parte das incorporadoras, que enfrentaram atrasos de obras e estouros de orçamentos.

Segundo ele, neste segundo semestre, a concessão de crédito tem mostrando uma retomada. "As empresas já passaram por uma arrumação da casa, resolveram a maioria dos problemas e estão com uma velocidade de vendas saudável", disse.

A Abecip projetava um crescimento do crédito imobiliário em torno de 30% neste ano, mas diminuiu suas projeções para um patamar entre 15% a 20% após as dificuldades enfrentadas pelas incorporadoras. "Para os próximos anos, não devemos ter mais desaceleração, porque essas questões (vendas e lançamentos menores) já estão computadas", estimou.

Lazari acrescentou que a poupança deverá ser a principal fonte do funding para o crédito imobiliário até meados de 2015. Depois disso, se houver necessidade, será intensificado o uso de outros instrumentos para alavancar recursos, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e as operações de securitização. "Esses instrumentos já existem e só não são maiores por causa do grande crescimento da poupança", avaliou.

De acordo com as regras do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), 65% do montante dos depósitos na caderneta de poupança deve ser destinado pelos bancos para o financiamento de moradias. Com o crescimento das concessões de crédito em velocidade superior ao da expansão da poupança, o mercado teme o esgotamento do funding e estuda outras fontes de recursos.

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