Abef prevê crescimento de 10% nas exportações de frango em 2005

Brasília, 15 - O diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Frango (Abef), Cláudio Martins, estimou há pouco que as exportações de frango em 2005 devem crescer 10% em volume e 15% em receita cambial em relação ao desempenho deste ano, que deve ficar em 2,4 milhões de toneladas e US$ 2,5 bilhões. Martins afirmou que a meta da Abef é buscar novos mercados e que as prioridades são as vendas para a China e para a Coréia do Sul. No caso da China, que em novembro assinou um protocolo que permite a venda de frango do Brasil para o mercado chinês, a meta é vender entre 40 mil e 50 mil toneladas de frango por ano. Estas vendas devem render US$ 50 milhões. De acordo com Martins, a China importa por ano entre 200 mil e 250 mil toneladas de carne de frango. No primeiro ano, o Brasil quer abocanhar 25% deste total. A China produz 14 milhões de carne de frango por ano e importa de fornecedores que tiveram problemas sanitários recentemente, principalmente o registro de influenza aviária. Outro mercado potencial para o frango brasileiro é a Coréia do Sul. Martins comentou que a Coréia do Sul importa 300 mil toneladas de frango por ano e a meta do Brasil é conquistar 15% deste mercado. A abertura do mercado sul-coreano depende da conclusão do relatório de uma missão técnica que visitou o Brasil neste ano. Martins também citou a abertura do mercado norte-americano para o frango brasileiro. É possível que as vendas de frango industrializados para os Estados Unidos comecem no segundo semestre de 2005. Ele reafirmou que a desvalorização cambial no últimos meses fez o setor perder receita com as exportações de frango. Entre maio e novembro, ele estimou perda de US$ 40 milhões. Só em novembro, a perda foi de US$ 7,5 milhões. Martins reafirmou também a necessidade de os exportadores negociarem em outras moedas que não o dólar, como o iene, o euro e até mesmo o real, no caso das vendas para o Mercosul. "Diante da desvalorização, a orientação é para reajustar os preços externos em pelo menos 10%". Martins contou também que técnicos da Malásia devem visitar o País em fevereiro do próximo ano. A partir desta visita o Brasil pode conseguir a certificação concedida pelo governo da Malásia para abate religioso das aves, tecnicamente chamado de "Halal". Este certificado é necessário para as venda de frango para países muçulmano. Martins afirmou que o embargo imposto pela Rússia à carne brasileira não afetou as vendas de frango. Os embarques para o mercado russo devem fechar 2004 em 180 mil toneladas. Em novembro, a Rússia anunciou o fim do embargo para as exportações de Santa Catarina, que responde por 80% das vendas brasileiras de carne de frango. Ele disse que apesar de os embarques de frango não terem sido prejudicados pelo embargo, o governo brasileiro deveria tratar o assunto de forma política "Os técnicos russos que vierem ao Brasil disseram que não há problema. Então , a manutenção do embargo é uma questão política que deve ser tratada desta forma pelo governo brasileiro." Martins contou também que Brasil, Estados Unidos, União Européia, Chile, Argentina e Tailândia devem criar no próximo ano a Organização Mundial das Aves, colegiado que discutirá políticas para regular possíveis produções excessivas que derrubem preços e também questão sanitárias.

Agencia Estado,

15 de dezembro de 2004 | 16h16

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