Abegás acena com recuo de investimentos e rebate Petrobras

As distribuidoras de gás naturalno Brasil colocaram em compasso de espera os planos deinvestimentos de mais de 6 bilhões de reais nos próximos cincoanos diante da crise do setor, informou o presidente da Abegás,Armando Laudorio. Ele se disse indignado com as declarações do presidente daPetrobras, José Sérgio Gabrielli, nesta quarta-feira, de que aculpa do corte de fornecimento de Gás Natural Veicular (GNV)foi das distribuidoras. Laudorio lembrou que a maior dona de postos de GNV noBrasil é a própria estatal, que sempre teria incentivado oaumento do uso do combustível. "A Petrobras saiu em campo divulgando o plano de gásnatural e incentivando as distribuidoras a expandirem a malha,todo mundo acabou investindo, mas agora vão ter mais cautelapara investir", afirmou Laudorio à Reuters, lembrando quesituações instáveis afastam qualquer investidor. Ele informou que as distribuidoras tentam há cinco anosnegociar com a Petrobras, sem sucesso, novos contratos comvolumes condizentes com o crescimento anual de cerca de 20 porcento do mercado de gás. Nos últimos 10 anos, segundo Laudório,essas empresas investiram 6 bilhões de reais e se preparavampara repetir o montante na metade do tempo. "Nos últimos três, quatro anos, houve uma divulgação de umplano do uso de gás natural no Brasil pela própria Petrobras, esse foi o sinal dado pela Petrobras e pelo governo federal",disse o representante das 27 distribuidoras de gás do país. A Petrobras cortou parte do fornecimento de gás para asdistribuidoras no dia 30 de outubro por falta de combustívelpara atender toda a demanda do mercado, depois que o OperadorNacional do Sistema determinou que a empresa abastecesse astermelétricas do país para poupar os reservatórioshidrelétricos. Segundo Laudorio, o fornecimento maior de gás do que ocontratado para as distribuidoras é um "acordo tácito" entreessas empresas e a estatal, e não poderia ter sido rompido comofoi na semana passada. "Essa decisão, do jeito que foi tomada, fugiu aos padrõesda Petrobras, foi irresponsável e intempestivo", criticou. "É como se um cara que ganha 1 mil reais passasse a ganhar3 mil reais, descontando impostos, tudo direitinho, e o patrãode repente resolvesse voltar a pagar 1 mil reais...o cara temseus compromissos", exemplificou. Laudório afirmou que o aviso da Petrobras chegou àsdistribuidoras na noite de 29 de outubro, para um corte às 7hda manhã do dia seguinte, sem especificar onde seria feito. Adistribuidora de São Paulo, Comgás, conseguiu que clientessubstituíssem o gás por outro combustível, mas no Rio deJaneiro a situação foi mais complicada. "O Rio tem simplesmente uma das maiores siderúrgicas daAmérica Latina e não conseguiu o mesmo que a Comgás, ninguémquis substituir o gás, por isso entramos na Justiça", explicou. A Ceg e a Ceg Rio conseguiram liminar no mesmo dia do cortedo fornecimento da Petrobras, que se viu obrigada a voltar aentregar o combustível. A Abegás está alertando todos osEstados a fazerem o mesmo se o envio de gás for reduzido. Para Laudório, a reunião extraordinária do ConselhoNacional de Política Energética (CNPE), que será realizado naquinta-feira no Rio, não terá nenhum efeito se o governo e aPetrobras continuarem optando por cortar o fornecimento. "Tem que tomar atitudes simples, como mudar astermelétricas de gás para combustíveis alternativos e acelerara entrada em produção de campos de gás no país, senão não temreunião do CNPE que dê jeito", disse o executivo.

DENISE LUNA, REUTERS

07 de novembro de 2007 | 19h36

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