Abic prevê safra de até 48 mi sacas de café e aperto na oferta

A Associação Brasileira da Indústriade Café (Abic) prevê uma aumento na safra 2008/09 para umintervalo de 46 milhões a 48 milhões de sacas, contra 33,7milhões de sacas (60 kg) oficialmente estimadas em 2007/08. Segundo um comunicado divulgado nesta segunda-feira pelaAbic, mesmo com o aumento considerável da safra --no período dealta no ciclo bienal de produção do café arábica--, a ofertaserá apertada neste ano-safra, em função da queda nos estoquesapós o ano de baixa na colheita e pelo aumento do consumo nopaís. "Não teremos excedentes de grãos", disse o presidente daAbic, Guivan Bueno, lembrando que a safra "deverá serinteiramente demandada pela exportação e pelo consumo interno". O presidente da Abic ressaltou que "os estoques físicosbrasileiros estão muito baixos e devem chegar em março nosmenores níveis das últimas décadas". De acordo com a Abic, para 2008, somando-se o consumointerno com as exportações, estimadas em torno de 28 milhões desacas, tem-se uma demanda total de 46 milhões de sacas --númeromais baixo do intervalo da estimativa. A Abic estimou nesta segunda-feira o consumo de café noBrasil entre novembro de 2006 e outubro de 2007 em 17,1 milhõesde sacas, crescimento de 4,74 por cento em relação ao períodoanterior. Segundo a associação, "o mercado brasileiro de cafécontinuará crescendo de forma acentuada e consistente". Para 2008, a Abic espera uma alta no consumo para 18,1milhões de sacas, com vendas alcançando 6,8 bilhões de reais.Em 2007, as vendas alcançaram 6,4 bilhões de reais. A entidade mantém a sua estimativa de que o consumonacional atingirá 21 milhões de sacas em 2010. "Vamos incrementar e consolidar o mercado de caféssuperiores, gourmet e especiais", disse o presidente da Abic,lembrando que a melhora na qualidade do produto é um dosfatores que impulsiona o consumo. SAFRA 08/09 Na terça-feira, a Companhia Nacional de Abastecimento(Conab) divulga a primeira estimativa da safra 2008/09. Antes de uma seca que atingiu as principais regiõesprodutoras do Brasil, por cerca de três meses no segundosemestre do ano passado, acreditava-se que o Brasil poderiacolher mais de 50 milhões de sacas, estabelecendo novo recordede produção. No entanto, o tempo seco atrasou e prejudicou a florada emmuitas regiões, especialmente no sul de Minas Gerais, aprincipal área produtora. Carlos Paulino da Costa, presidente da Cooxupé, a maiorcooperativa cafeeira do Brasil, com sede em Guaxupé (sul deMG), disse que antes da seca havia a expectativa de se colhermais em 2008. "A previsão para 2008 está abaixo (do potencial), havia umaexpectativa para 20 por cento a mais. Mesmo assim, a Cooxupé estima receber de seus cooperados umvolume de café de 4,4 milhões de sacas neste ano de alta dociclo do arábica, contra 2,6 milhões de sacas na temporadapassada, ano de baixa do ciclo da lavoura.

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