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Abilio Diniz dobra sua participação no Carrefour e vira o 4º maior sócio da rede

Com operação avaliada em R$ 2 bi, empresário aumentou para 5,07% sua participação na varejista francesa; fontes afirmam que Abilio poderá fazer parte do conselho e planeja aumentar ainda mais sua participação na companhia

MÔNICA SCARAMUZZO,Dayanne Souza, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2015 | 02h05

O empresário Abilio Diniz, ex-dono do Pão de Açúcar, aumentou de 2,4% para 5,07% sua participação no Carrefour global, tornando-se o quarto maior acionista da rede varejista francesa, atrás dos grupos franceses Arnault (do bilionário Bernard Arnault) e Motier (da família Moulin, dona da Galeries Lafayette) e do fundo de investimento americano Colony. A transação para elevar a fatia na varejista é avaliada em 630 milhões (cerca de R$ 2 bilhões) e foi feita por meio da Península, gestora de recursos da família Diniz. O empresário também detém, desde dezembro, 10% de participação no Carrefour Brasil.

Desde que saiu definitivamente do Grupo Pão de Açúcar (GPA), fundado por seu pai Valentim Diniz, em 1948, o empresário já investiu cerca de R$ 6,7 bilhões (valores atualizados) no Carrefour. Diniz, que foi reeleito esta semana presidente do conselho de administração da companhia de alimentos BRF, já desembolsou cerca de 1,5 bilhão na fatia de 5,07% do Carrefour global, além de R$ 1,8 bilhão na compra de 10% da subsidiária brasileira. Essa fatia deve aumentar para 12% e atingir até 16% nos próximos anos.

Embora não participe diretamente da gestão no Carrefour Brasil, o empresário já está trabalhando para tornar a gestão da companhia mais agressiva no País para bater de frente com seu principal concorrente, o também grupo francês Casino, dono do GPA, antigo sócio de Abilio.

Fontes de mercado afirmaram ao Estado que Abilio Diniz poderá se tornar membro do conselho de administração da rede francesa e até ser indicado à presidência do colegiado, em junho, quando está prevista assembleia geral dos acionistas em Paris.

A escolha de integrantes para participar do conselho de administração da companhia ocorre por indicação. Os nomes, depois, são submetidos em assembleia.

De acordo com fontes de mercado, o empresário também estaria negociando a compra de uma fatia maior na rede francesa global e já teria feito contato com representantes do bilionário Bernard Arnault, dono da holding francesa LVMH, especializada em artigos de luxo, dona da Louis Vuitton, que possui cerca de 9% do Carrefour global. A informação já foi antecipada pela coluna Direto da Fonte, de Sônia Racy. Procurado, nenhum porta-voz da LVMH foi encontrado para comentar a informação.

Em comunicado enviado ontem à imprensa, a Península informou que adquiriu nos últimos dias novas ações do Carrefour S.A e que não tem a intenção de aumentar sua participação no Carrefour S,A,. A Península tem sob sua administração cerca de R$ 10 bilhões em ativos. Entre os negócios, a Península é acionista da BRF e da Anima Educação.

A gestora de recursos tem boa de seus investimentos em ativos imobiliários, que incluem as 60 lojas alugadas para o Pão de Açúcar em regiões nobre de São Paulo, que devem gerar uma receita de R$ 185 milhões em aluguéis este ano.

Varejo. Fontes informaram ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, que o empresário também teria se aproximado do grupo Cencosud. A aproximação ainda é inicial e teria por objetivo uma possível união das operações dos dois grupos no País. Procurado pelo Broadcast, o Carrefour não comentou e Cencosud e Península negaram as informações.

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