Abilio Diniz terá 17% de participação no Novo Pão de Açúcar, diz Estater

Já a rede francesa Casino terá 29%, segundo a butique financeira que estruturou a fusão

Altamiro Silva Junior e Rodrigo Petry, da Agêncai Estado,

28 de junho de 2011 | 09h57

O empresário Abilio Diniz terá participação, direta e indireta, de 17% no Novo Pão de Açúcar (NPA), empresa a ser criada após a fusão da rede brasileira com o Carrefour no Brasil. Já a rede francesa Casino terá 29%, segundo Pércio de Souza, sócio da Estater, butique financeira que estruturou a fusão, representando Diniz.

A participação de Diniz é dividida em duas partes. Diretamente, ele terá 10,5% do NPA. Indiretamente, por meio da Wilkes, ele terá mais 6,5%. Com o Casino ocorre o mesmo. Diretamente terá 15,7% e, indiretamente, por meio da Wilkes, 14,1%.

"Não é uma proposta hostil. Está sujeita à aprovação dos acionistas e dos conselhos das duas empresas. Nós achamos que o resultado gera um valor enorme para as duas empresas. É uma operação ganha-ganha", disse Pércio de Souza.

Todas as instâncias societárias do Pão de Açúcar e do Carrefour precisam aprovar a operação, além da diretoria do BNDES. O banco vai injetar 1,7 bilhão de euros na operação.

A participação do Novo Pão de Açúcar (NPA) no Carrefour mundial será de 11,7%, podendo chegar a 16%, segundo Souza. O fundo Blue Capital terá cerca de 8,4%, o Colony Blue Investor, 2%, e o Groupe Arnault, 0,7% do Carrefour mundial.

As ações em circulação no mercado (free float) do Carrefour mundial corresponderão a 77,2% do capital da companhia.

Além disso, os acionistas do Novo Pão de Açúcar terão direito a dois assentos no conselho de administração do Carrefour mundial.

Wilkes

Na estrutura da nova empresa que será criada, o Novo Pão de Açúcar, a Wilkes ficaria com 20,4% de participação, segundo Pércio Souza, sócio fundador da gestora Estater, que está conduzindo a fusão entre o grupo brasileiro e a rede Carrefour no Brasil.

A Wilkes é a empresa que abriga o Casino e a família Diniz, com participações iguais de 50%. Hoje a Wilkes controla a CBD (Pão de Açúcar) e tem participação no capital total do Pão de Açúcar de 25% do capital total do Pão de Açúcar.

Acionista

Na proposta de fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour está previsto que os acionistas da CBD (Grupo Pão de Açúcar) vão migrar para uma nova empresa a ser criada, o Novo Pão de Açúcar (NPA), segundo explicou Pércio de Souza, sócio-fundador da gestora Estater, que está estruturando a operação.

As ações ordinárias dos acionistas da CDB serão trocadas na relação de uma para uma com as ações ON do NPA. Já a relação de troca das preferenciais da CBD será de 0,95 papéis desta empresa para 1 ON da NPA.

O NPA terá apenas ações ordinárias, com direito a tag along de 100% e serão listadas tanto na Bovespa como em Nova York. Cada acionista terá limite de 15% de poder dos votos.

Somados todos os antigos sócios da CBD detentores de ações preferenciais terão 47,6% do NPA, já os detentores de ações ordinárias ficarão com fatia de 31,2%. O empresário Abilio Diniz terá participação, direta e indireta, de 17% no NPA. Já a rede francesa Casino terá 29%, segundo Souza.

Conforme comunicado divulgado mais cedo pelo Carrefour, essa nova empresa, NPA, será a controladora da CBD, que por sua vez terá embaixo dela os ativos do Carrefour no Brasil. NPA e grupo Carrefour mundial terão o controle compartilhado da CBD.

Cade

Souza disse que a Estater já trabalha em uma proposta para apresentar ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O executivo não deu maiores detalhes de quando fará a apresentação. Excluindo o BNDES, a operação não foi comunicada oficialmente a outros órgãos do governo. "Não temos nem a aprovação do conselho do Carrefour nem do Pão de Açúcar, por isso achamos que não tínhamos o que apresentar ao Cade. Vamos conversar com nossos advogados para preparar a apresentação."

A Estater já trabalhou para outras operações do Pão de Açúcar, como a compra do Ponto Frio. Segundo Souza, o BTG procurou a gestora há cerca de um mês, em um momento que a estrutura da fusão estava bem avançada. "Estávamos estruturando a operação para o Abilio Diniz, como acionista. O Pão de Açúcar não sabia da operação", disse o gestor.

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