Leonardo Soares/Estadão
Leonardo Soares/Estadão

Abilio quer permanecer na BRF e diz não ver conflito de interesses com o Carrefour

Empresário comprou 10% da operação brasileira do Carrefour e passará a ser conselheiro tanto da varejista como da empresa de alimentos

Dayanne Sousa, O Estado de S. Paulo

18 Dezembro 2014 | 15h58

O empresário Abilio Diniz descartou nesta quinta-feira que haja conflito de interesses em razão de ele ter passado a ser membro do Conselho de Administração do Carrefour Brasil, enquanto ainda mantém o posto de presidente do Conselho da empresa de alimentos BRF. Ele respondeu a perguntas de jornalistas durante teleconferência e disse que espera continuar na BRF.  

"Não há conflito porque não há interdependência entre as companhias", disse Diniz. "Como membro do Conselho, não tenho nenhum impacto em decisões comerciais das empresas", acrescentou. 

Diniz volta ao varejo depois de pouco mais de um ano de sua despedida do Grupo Pão de Açúcar (GPA) após conflitos com o novo controlador, o Casino. Ele anunciou a compra de 10% da subsidiária brasileira do maior concorrente do GPA, o Carrefour. O negócio foi fechado por R$ 1,8 bilhão.

"Agora lugar de gente feliz é aqui", disse o empresário, numa paródia do slogan da rede Pão de Açúcar. Ele disse que o momento é "muito especial" para a sua vida profissional. "Eu pretendo ser muito feliz neste momento", acrescentou.

Governança corporativa. O empresário foi questionado sobre se ele fez alguma consulta ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre o tema. "Não foi feita nenhuma consulta, porque não há razão para fazer", respondeu.

Abilio disse a jornalistas que irá se "ater rigorosamente" à governança corporativa estabelecida na companhia. Diniz ressaltou que não terá um cargo executivo, mas ocupará uma cadeira no conselho de administração da empresa.  

A holding de investimentos da família Diniz, a Península, terá ainda direito a mais uma cadeira no conselho. O empresário afirmou que quem assumirá o posto é Eduardo Rossi, CEO da Península.  

De acordo com Diniz, dentro do acordo entre ele e o Carrefour, ficou estabelecido que ele poderia contribuir com um "working group" (grupo de trabalho) para auxiliar a gestão naquilo que for necessário.  

Elogios. O nome do CEO do grupo Carrefour no Brasil, Charles Desmartis, foi citado diversas vezes na teleconferência com jornalistas da qual Diniz participou ao lado do presidente do grupo Georges Plassat. "Acredito que o Carrefour está num novo momento desde a chegada de Charles e será uma satisfação e um prazer muito grande trabalhar com ele e seu time aqui", disse Diniz. 

Já Plassat exaltou o relacionamento "profissional e amigável" entre Diniz e Desmartis.  "Eu sempre tive uma admiração muito grande pelo Carrefour desde jovem", afirmou Diniz. "Meu conhecimento do mercado pode ajudar Carrefour a se desenvolver", acrescentou. 

Pouco antes, Plassat também fez elogios a Diniz e disse que o laço com o empresário brasileiro iria permitir à empresa "valorizar seus ativos no mercado  brasileiro e aprofundar sua relação com o Brasil"  

Em 2013, a Península já havia comprado ações do Carrefour global na França. De acordo com Diniz, essa aquisição foi feita "apenas com um interesse de investimento". Hoje, segundo informou Plassat, Diniz tem 2,4% das ações do Carrefour global. Os dois disseram, porém, que esse investimento não tem relação com o aporte feito no Brasil. 

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