Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Abrir um negócio de sucesso vai depender muito de você

O futuro é incerto, mas mesmo assim, ainda é possível começar agora um empreendimento

Ligia Tuon, Especial para o Estado

31 de março de 2015 | 06h56


Com inauguração prevista para abril, a Panda precisou se reinventar antes mesmo de abrir as portas. Tudo para alcançar, logo de saída, um número maior de clientes no disputadíssimo mercado de alimentação. “A ideia era abrir uma paleteria mexicana, mas, como esse mercado saturou rapidamente, vamos oferecer outros produtos”, conta o idealizador do empreendimento, Roberto Saretta.

O empresário teve uma sacada importante para preservar seu negócio: fugiu ‘da moda’, ou seja, de idealizar e planejar um negócio baseado na preferência momentânea do cliente. 

No caso de Saretta, a diversificação permitirá a ele atrair outros públicos. “É uma opção para quem quer fazer um lanche rápido na hora do almoço por um preço menor do que os praticados nos restaurantes da região da Vila Madalena”, conta o empresário, que também negociou um aluguel mais baixo. Segundo o empresário, o cliente poderá almoçar gastando R$ 15, o que inclui sobremesa, enquanto que, nos restaurantes da região, o preço médio só do almoço é de R$ 25. 

A história de Roberto, assim como a de outros empreendedores neste especial Estadão PME, pode servir de inspiração para quem quer empreender, apesar da crise econômica. E esses futuros empresários precisam saber, logo de cara, que a retração da economia não deverá ser passageira. 

O professor Clemens Nunes, da escola de economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV), observa, inclusive, que o cenário macroeconômico será adverso nos próximos dez anos. Possivelmente, diz o especialista, veremos deterioração na renda das famílias. A expansão modesta do salário real e o aumento dos índices de desemprego tendem a agravar a situação. “Nesse contexto, a renda desses estabelecimentos pode estar limitada”, afirma.

Para se ter uma ideia, o setor de serviços foi o único a ter faturamento positivo em 2014 entre as micro e pequenas empresas que atuam em São Paulo. “Se juntarmos todos os setores, a queda no faturamento foi de 0,6% no acumulado do ano passado em relação ao ano anterior”, afirma Letícia Aguiar, consultora do Sebrae-SP. Em números absolutos, a receita total foi de R$ 595,3 bilhões.

A previsão para o IPCA, que mede a inflação oficial, de 2015 foi de 7,77% para 7,93% no meio de março, segundo expectativas do boletim Focus do Banco Central, e ultrapassou a barreira dos 8% no final do mês. “Isso não fere apenas a capacidade de consumo, mas também onera o negócio, que depende de fornecedores”, diz Simão Silber, professor da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da USP. “Você teria que pesquisar muito antes de tomar uma decisão. Dos últimos cinco anos, esse é o pior momento para abrir.” Outra notícia ruim foi o Produto Interno Bruto (PIB), que avançou apenas 0,1% durante 2014, segundo dados divulgados na última sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Mas o sucesso de um novo empreendimento, entende Nunes, da FGV, está nas mãos do empresário. “Se, de um lado, a economia está mais fraca, de outro, uma série de oportunidades podem surgir onde concorrentes estão saindo.” Ser otimista, nesse sentido, pode abrir portas, mas só vai funcionar se o empresário fizer o dever de casa. “Água benta, caldo de galinha e cautela nunca fizeram mal a ninguém”, diz Silber. 

 

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