Acadêmicos na China debatem política para combater bolhas de ativos

Preços dos imóveis na China subiram cerca de 40% no ano passado e teria sido difícil conter esse aumento ajustando as taxas de juros

Danielle Chaves, da Agência Estado,

29 de outubro de 2010 | 11h28

O Banco do Povo da China (PBOC, o banco central do país) atualmente não inclui preços de ativos em sua política monetária, afirmou Zhang Jianhua, pesquisador do banco central. A declaração foi feita depois que Wang Xiaoguang, acadêmico de uma instituição ligada ao governo, pediu que a autoridade use a política monetária para solucionar problemas de bolhas de ativos.

As declarações destacam a intensificação do debate entre acadêmicos ligados ao governo sobre a direção da política monetária chinesa enquanto o país tenta lidar com os desafios impostos pelo aumento dos preços dos imóveis e pelo potencial crescimento das pressões de fluxos de entrada de capital.

Durante um fórum financeiro, Zhang afirmou que as metas do PBOC são controlar a inflação e garantir o crescimento econômico. A China prefere políticas "sob medida" para tratar dos preços dos imóveis e das ações, disse o pesquisador, sem dar maiores detalhes sobre o assunto. Os preços dos imóveis na China subiram cerca de 40% no ano passado e teria sido difícil conter esse aumento ajustando as taxas de juros, acrescentou.

As declarações foram respostas a comentários feitos por Wang, pesquisador da divisão de conselho político da Academia Chinesa de Governança, um instituto de nível ministerial supervisionado pelo Conselho Estatal, o gabinete de governo da China.

Wang afirmou que o país tem um grande problema de bolha de ativo e um "ambiente especulativo" no setor de investimento e disse que a política monetária deveria considerar os ativos bem como os preços ao consumidor. O pesquisador observou que a China deveria desacelerar sua taxa de crescimento econômico do atual nível, que é de 9% a 10%, já que uma reestruturação econômica é difícil em meio a uma expansão tão rápida.

Embora tenha dito que a política do PBOC não deve ser usada para tratar de bolhas de ativos, Zhang expressou preocupação com o possível afrouxamento quantitativo do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), que pode provocar excesso de liquidez nos mercados emergentes, incluindo a China. "Essa liquidez vai necessariamente causar problemas como aumentos em preços de ativos e superaquecimento econômico", afirmou.

As informações são da Dow Jones. 

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