Ação antidumping da Flórida é "tiro no pé", diz Abecitrus

São Paulo, 28 - Ao exigir sobretaxas sobre as importações de suco de laranja concentrado e congelado do Brasil os produtores de laranja da Flórida prejudicam a si mesmos. A opinião é de Ademerval Garcia, presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Citros (Abecitrus), a respeito do processo antidumping aberto pelos produtores do estado americano contra as importações de suco de laranja do Brasil. Ele diz que, com a atitude, o setor está virando as costas à cooperação científica e comercial entre Brasil e Estados Unidos, vital para a sustentação da indústria de citros no mundo. Garcia considera ainda que a indústria de citros da Flórida está "dando tiro no próprio pé" já que ganha dinheiro envasando e vendendo suco brasileiro. As indústrias de citros da Flórida e do Brasil estão para fechar um acordo de cooperação científica para combater doenças graves que atingem os pomares, como o greening e a morte súbita dos citros, e para criar estratégias que desenvolvam o comércio internacional de suco. "Eles escolheram lutar contra nós, ao invés de trabalharmos juntos para aumentar o comércio. É uma pena", diz Ademerval Garcia. O Brasil é o maior exportador de suco de laranja concentrado e congelado, com embarques de 1,3 milhão de toneladas em 2004. Cerca de 12% dessas vendas vão para os Estados Unidos. Os produtores de laranja da Flórida pediram a abertura de um processo antidumping contra as importações de suco de laranja concentrado e congelado do Brasil. O pedido foi feito ontem à Comissão Internacional de Comércio (ITC) dos EUA e ao Departamento de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Os produtores querem uma investigação dos preços praticados por quatro empresas que vendem suco brasileiro no mercado americano: Citrosuco, Cutrale, Louis Dreyfus Citrus e Cargill Juice. A petição acusa essas empresas de vender suco de laranja concentrado e congelado e suco pasteurizado não-concentrado a preços, respectivamente, 37% e 78% menores que os custos de produção local. Os produtores reclamam que essa prática, chamada dumping, contribuiu para a queda de cerca de 33% dos preços da laranja na Flórida e pelo aumento de mais de 20% nos estoques do estado. Para Garcia, é um contra-senso combater o país que está abrindo outros mercados para as exportações americanas de citros e oferecendo garantias de abastecimento do mercado americano. Antes de o Brasil se tornar o maior exportador mundial, os Estados Unidos abasteciam 70% do consumo internacional de suco de laranja. Esse percentual está em cerca de 40% no momento. Enquanto isso, nas décadas de 1970 e 1980 o Brasil garantiu o fornecimento de suco para os Estados Unidos quando a safra local foi destruída por uma série de fortes geadas. "Sem nossas exportações, o mercado teria sido significativamente reduzido naqueles anos", conta Garcia. Em 2005 os Estados Unidos podem ter que importar milhares de toneladas de suco brasileiro por conta da quebra da safra na Flórida, que foi duramente atingida por vários furacões entre agosto e setembro. De acordo com o Departamento de Agricultura do país (USDA), o estado deverá colher 168 milhões de caixas de 40,8 quilos de laranja na atual safra 2004/05, 31% menos que a safra 2003/04. Será a menor safra desde 1991/92. As informações são da Dow Jones.

Agencia Estado,

28 de dezembro de 2004 | 18h01

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