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Ação da Kraft Heinz cai 27% após perda de US$ 15 bilhões

Preocupações com a fabricante de alimentos – que tem o fundo 3G como sócio – incluem vendas em baixa, dívidas e investigação da SEC

Agências internacionais

23 de fevereiro de 2019 | 04h00

A fabricante de alimentos Kraft Heinz enfrentou um dia difícil no mercado financeiro na sexta-feira, 22, após divulgar que teve de reservar US$ 15,4 bilhões para compensar perdas com aquisições mal calculadas. Com essa despesa não programada, a companhia registrou prejuízo de US$ 12,6 bilhões no quarto trimestre, frustrando todas as expectativas de analistas. Como a empresa já estava sob escrutínio por causa de suas vendas fracas e endividamento, as ações da Kraft Heinz tiveram queda de 27,5%, para US$ 34,95, na Bolsa de Nova York.

A companhia – fruto de uma fusão entre duas das maiores fabricantes de alimentos dos Estados Unidos, celebrada em 2015 – tem entre seus sócios o megainvestidor Warren Buffett e também o fundo 3G, dos brasileiros que fundaram a Ambev. Quinta maior empresa de alimentos do mundo, com um endividamento de cerca de US$ 30 bilhões, a Kraft Heinz vem buscando alternativas para ganhar escala. Há dois anos, tentou arquitetar uma fusão com a gigante anglo-holandesa Unilever, mas o negócio jamais saiu do papel. O acordo, caso tivesse sido concretizado, seria um dos maiores já realizados, estimado em US$ 143 bilhões.

Os maus resultados devem se estender ao longo de 2019, de acordo com o diretor financeiro da Kraft Heinz, David Knopf. O executivo disse prever um “crescimento consistente” do lucro a partir de 2020. “Os resultados da Kraft Heinz confirmaram todos os nossos piores medos – e foram até mais longe do que isso”, disse Laurent Grandet, analista da consultoria Guggenheim Partners, em nota.

Corte de custos

Na época da criação da Kraft Heinz, analistas se perguntavam se a companhia conseguiria capitalizar seu portfólio de marcas, que incluía produtos tradicionais nos EUA, mas que vinham perdendo mercado, como Jell-O e Kool-Aid. Nos últimos anos, os consumidores americanos vêm priorizando produtos mais naturais e orgânicos, em substituição aos produtos industrializados como os da Kraft Heinz.

O fundo 3G, com o apoio de Warren Buffett, conseguiu elevar as margens da Heinz entre 2011 e 2013, depois de um programa de cortes de custos. Dois anos mais tarde, a empresa arquitetou a combinação de negócios com a Kraft – o que permitiu um corte de US$ 1,7 bilhão em despesas. Por algum tempo, os investidores se mostraram impressionados. As ações chegaram a ser negociadas a US$ 90, muito acima da avaliação de rivais do mesmo setor.

Depois de conseguir implantar a cultura de corte de custos do 3G na Kraft Heinz, o presidente da empresa, o brasileiro Bernardo Hees, começou a ser cobrado por um aumento de vendas que até agora não se concretizou. Ao anunciar a despesa de US$ 15,4 bilhões e também o corte de 36% nos dividendos, a companhia tenta novamente separar dinheiro para uma eventual consolidação.

Entre os potenciais alvos da Kraft Heinz estariam outros pesos pesados dos Estados Unidos, como as gigantes Mondelez, General Mills, Campbell e Kellogg. Outros rumores dão conta de que a companhia poderia olhar fora de seus pares diretos, adquirindo companhias que possam contribuir na expansão de seu atual portfólio.

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