Ação do BC e política fiscal justificam upgrade do Brasil, diz S&P

Agência prevê que superávit primário do setor público em 2011 seja equivalente a 3,15% do PIB do País

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

17 de novembro de 2011 | 18h10

A agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) afirmou que a elevação dos ratings em moeda local e estrangeira do Brasil refletem as políticas macroeconômicas prudentes adotadas pelo atual governo, entre elas as políticas fiscais rigorosas e a resposta do Banco Central às pressões inflacionárias.

Nesta quinta-feira, 17, a Standard & Poor's elevou o rating soberano de longo prazo em moeda estrangeira de Brasil de BBB- para BBB. A nota de longo prazo em moeda local também melhorou, saindo de BBB+ para A-. A perspectiva para ambas é estável. "A elevação do Brasil recebe suporte do histórico crescente de políticas macroeconômicas prudentes da atual administração", afirmou o analista de crédito da S&P, Sebastian Briozzo, num comunicado.

A S&P mencionou que o Brasil apertou sua política fiscal por meio de cortes no orçamento e por medidas para conter o aumento nos gastos com pensões e ressaltou que embora o Banco Central tenha diminuído os juros em agosto para sustentar a demanda doméstica a política orçamentária não foi afrouxada. Diante disso, a expectativa é de que o superávit primário do setor público em 2011 seja equivalente a 3,15% do PIB.

"A combinação de um compromisso político sustentado a políticas econômicas cautelosas, a uma economia diversificada e a uma melhora gradual no perfil externo devem moderar o impacto de choques externos e sustentar as perspectivas de crescimento de longo prazo", disse Briozzo.

A agência lembrou que a decisão do Banco Central de elevar a Selic em 3,75 pontos porcentuais entre abril de 2010 e julho de 2011 para combater a inflação enviou um importante sinal sobre a flexibilidade e o compromisso do governo com o crescimento econômico e advertiu que um eventual fracasso em manter a inflação em níveis que legitimem a política de metas do BC seria um dos fatores que poderiam resultar num eventual rebaixamento do rating brasileiro.

"Esperamos que o governo sustente seu compromisso com a prudência fiscal apesar dos desafios que virão com o aumento do salário mínimo em 2012 e com as necessidades de investimento público", afirmou Briozzo. "Esperamos que a política fiscal continue dando suporte à uma política monetária flexível, garantindo às autoridades maior espaço para empregar políticas anticíclicas em meio a condições de incerteza global."

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