Ação do greening nas lavouras de citros assusta pesquisadores

Araraquara, 2 - Os pesquisadores Fanie van Vuuren e Henie le Roux, dois dos maiores especialistas mundiais sobre o greening, afirmaram hoje que a ação e a severidade da doença nos pomares brasileiros "são assustadoras". Ambos estudam a doença no Citrus Research International, centro de pesquisas na África do Sul mantido por citricultores, e estão no Brasil há cerca de uma semana visitando pomares e as ações tomadas contra o greening. Na África do Sul, o greening foi relatado pela primeira vez em 1928, com perdas que atingiram até 100% de pomares. "Nos anos 70, cerca de 38% do parque citrícola do país tinha a doença, com 4 milhões de plantas contaminadas. Hoje, o greening atinge cerca de 350 mil plantas, ou 1% do parque", relatou le Roux, que participou hoje do Simpósio Internacional de Greening, em Araraquara (SP), cidade que concentra os principais focos da doença no Brasil. Considerada a pior doença mundial da citricultura, o greening faz com que as plantas fiquem amareladas, com deformidade e queda dos frutos, reduzindo praticamente a zero a produtividade. Os pesquisadores da África do Sul lembraram ainda que o greening demorou cerca de 50 anos para adquirir, naquele país, severidade semelhante à existente nos pomares do parque citrícola brasileiro atualmente. "Só que esse nível severidade demorou menos de um ano desde a descoberta, em março de 2004, para ocorrer aqui no Brasil", explicou van Vuuren. De acordo com eles, o principal fator que explica a diferença na severidade entre as duas regiões está na variante da bactéria causadora da doença. Na África do Sul, a Candidatus Liberibacter africanus é pouco resistente a altas temperaturas. Além disso, a geografia daquele país prejudicou o avanço da doença e do seu vetor, a Trioza erytreae. Já no Brasil, além de a ação da variante americanus da Candidatus Liberibacter ser muito mais severa, ela aparentemente demonstra tolerância ao calor e o parque citrícola comercial no País é praticamente contíguo. Enquanto no Brasil existem cerca de 200 milhões de plantas citrícolas comerciais, o parque sul-africano tem apenas 35 milhões. Os pesquisadores, entretanto, elogiaram a rapidez de resposta dos colegas e produtores do País na ação contra a doença. "Estamos aqui há pouco mais de uma semana e nos impressionou o conhecimento que todos têm sobre a doença nas propriedades e o avanço nas pesquisas", explicou le Roux. Enquanto não há uma cura para o greening, os especialistas do Citrus Research International sugeriram a erradicação das árvores doentes, a criação de uma legislação que torne essa medida obrigatória e o controle químico do vetor no Brasil, a Diaphorina citri, práticas que já são feitas ou sugeridas pelos pesquisadores brasileiros. (segue)

Agencia Estado,

02 de dezembro de 2004 | 16h39

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