Acidente com avião da Embraer na China ocorre em meio a negociações

País é o 2º maior mercado depois dos EUA para a Embraer; empresa negociava a produção do modelo do acidente em fábrica na China

Cláudia Trevisan, de O Estado de S. Paulo,

25 de agosto de 2010 | 15h20

A China é o segundo maior mercado para a Embraer depois dos Estados Unidos e o acidente com o E-190 ocorre no momento em que a empresa brasileira tenta convencer as autoridades de Pequim a autorizarem a produção desse modelo em uma fábrica no nordeste do país, onde atualmente é montado um avião menor da companhia brasileira, o ERJ-145.

As negociações se arrastam desde o ano passado e a China resiste em dar sinal verde à fabricação do E-190. Sem isso, a Embraer teme perder espaço no mercado de aviação que cresce mais rapidamente em todo o mundo.

A falta de acordo coloca em risco a venda de 45 jatos E-190 encomendados pela Kunpeng Airlines em 2007, cuja entrega é adiada pelos chineses desde então. Kunpeng é o antigo nome da Henan Airlines, a empresa que possui 5 aviões E-190 em sua frota, um dos quais caiu no nordeste da China anteontem. Com o acidente, as negociações devem ficar ainda mais difíceis.

A produção do modelo no país asiático seria uma forma de garantir a venda das 45 aeronaves. A China tem uma forte política industrial para o setor e dá prioridade à compra de aviões que tenham sido ao menos parcialmente produzidos no país.

A fábrica localizada na cidade de Harbin, próxima da fronteira com a Rússia, é fruto de uma joint-venture com a estatal AVIC e entregará as últimas encomendas do ERJ-145 no próximo ano. Se não houver acordo para a fabricação do E-190, é provável que a empresa brasileira deixe de produzir aviões na China.

O interesse dos chineses na fabricação do jato brasileiro, que tem capacidade para até 120 lugares, diminuiu depois que a AVIC desenvolveu seu próprio modelo de avião de porte semelhante, o ARJ21, que tem de 70 a 90 assentos. As primeiras entregas da aeronave devem ocorrer neste ano.

Atualmente existem 73 aviões da Embraer voando na China e outros 32 devem ser entregues nos próximos anos, entre ERJ-145 produzidos no país e E-190 exportados a partir do Brasil.

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