JB Neto/Estadão
JB Neto/Estadão

BRMalls e Aliansce Sonae selam fusão com apoio da maioria dos acionistas

Acordo dará origem ao maior conglomerado de shoppings do País

Circe Bonatelli, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2022 | 14h59

A BrMalls e a Aliansce Sonae concluíram hoje mais uma etapa do processo de fusão que dará origem ao maior conglomerado de shoppings do País. O negócio já havia sido firmado entre a direção das empresas e hoje foi submetido à aprovação dos acionistas de cada lado.

 A assembleia da BrMalls começou às 14h. Os acionistas com uma participação equivalente a 68,5% da companhia votaram favoravelmente à proposta de fusão. O encontro da Aliansce teve início às 17h, e registrou a aprovação de 79,6% da base total.

Essa votação expressiva confirma que os acionistas enxergaram os méritos da transação e foram favoráveis aos termos colocados. O processo de fusão contará com uma grande base de apoio”, afirmou o presidente da BrMalls, Ruy Kameyama.

“As assembleias mostraram que a fusão tem o apoio dos acionistas dos dois lados. E o apoio foi até além dos acionistas que já haviam se declarado favoráveis publicamente”, completou o presidente da Aliansce Sonae, Rafael Sales. Os executivos concederam uma entrevista conjunta ao Broadcast, por videochamada.

 A Aliansce iniciou as conversas com a BrMalls para uma fusão em dezembro, e teve duas propostas recusadas. Só na terceira houve engajamento. Ainda assim, havia dúvida se haveria apoio suficiente do lado da BrMalls, que tem o capital pulverizado entre milhares de acionistas. O Broadcast apurou que quase todos os principais investidores foram favoráveis. Uma exceção foi a gestora norte-americana Capital International, que votou contra.

 A assembleia da BrMalls deliberou também sobre a proposta de remuneração da diretoria durante a etapa de integração entre as duas empresas. A BrMalls vai destinar até R$ 50 milhões para evitar a saída de executivos, diretores e gerentes nos próximos meses. E pode desembolsar outros R$ 12 milhões na forma de multas rescisórias, já que os executivos contavam com plano de incentivo de longo prazo.

 A BrMalls ainda estima gastos de R$ 65 milhões com advogados e assessores financeiros contratados para trabalhar no processo, enquanto a Aliansce deve desembolsar outros R$ 75 milhões, aproximadamente, nessa mesma linha.

 Na visão de parte dos analistas de shoppings, essas despesas poderiam ofuscar as sinergias esperadas com a fusão no curto prazo. Mas o tema acabou não sendo um empecilho aos olhos dos investidores. A aprovação a esse item foi de mais de 60% da base total de acionistas.

 Segundo Kameyama, as despesas com remuneração não devem atingir o teto, já que muitos executivos vão permanecer na empresa. Questionado se fica na companhia, ele afirmou que essa discussão ainda não aconteceu.

 A escolha da diretoria definitiva será feita só após a formação do conselho de administração do novo grupo combinado. Até lá as empresas continuam trabalhando separadamente. Será formado agora um comitê para calibrar a integração das partes, o que passará pela seleção de executivos. “Vai ter um estudo de talentos e habilidades A ideia é juntar um monte de gente com alta capacidade para a nova empresa sair mais fortalecida”, disse Sales.

Sinergias podem ser até maiores que as previstas

 Aliansce e BrMalls vão trabalhar conjuntamente para divulgar uma estimativa precisa de sinergias esperadas com a fusão. A Aliansce havia divulgado a projeção de R$ 210 milhões em ganhos por anos, mas uma revisão feita pela consultoria Mckinsey apontou que o patamar pode ser até maior, comentou Sales.

 As sinergias virão do aumento das receitas, cortes de despesas e ganho de escala em programas de fidelidade, publicidade e digitalização dos canais de vendas. “Teremos a oportunidade de acelerar a ocupação dos shoppings e a substituição de lojistas, atraindo aqueles com melhor performance. Seremos o maior parceiro dos lojistas em suas estratégias de crescimento”, exemplificou o presidente da Aliansce.

 O novo grupo também será o maior proprietário de estacionamentos no Brasil, por exemplo, com chance de otimizar a gestão. Outro ponto importante será a diluição de despesas com desenvolvimento de aplicativos e soluções de vendas.

 A barganha vai se estender desde contratos com prestadoras de serviços de limpeza e manutenção, até fornecimento de energia elétrica e construtoras, emendou o presidente da BrMalls.“A empresa que nasce da fusão tem um porte muito grande. Existem os custos de formatação, mas a partir daí se abrem grandes oportunidades”, ressaltou.

Fusão de Aliansce e BrMalls agora depende do Cade

 Se a proposta de fusão for confirmada, dará origem à maior companhia do setor no Brasil, com 69 shoppings e vendas anuais de R$ 38,5 bilhões. São números bem maiores que os das principais concorrentes: a Multiplan tem 20 shoppings, e a Iguatemi, 16.

 Para que a combinação seja selada, falta apenas a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O prazo legal para análise do processo é de um ano, mas a expectativa é que haja um desfecho em até seis ou sete meses, segundo Sales.

 Para agilizar a apuração do processo no órgão antitruste e evitar que a operação seja alvo de eventuais sanções, a Aliansce está negociando a venda de três a quatro shoppings em cidades onde haveria uma concentração de empreendimentos nas mãos do grupo combinado. A BrMalls também está fazendo o mesmo e cogita se desfazer de um ou dois empreendimentos.

 Os executivos frisaram, porém, que a sobreposição de shoppings das duas empresas é baixa, e uma eventual alienação de ativos não afetará de modo significativo o faturamento, nem o lucro operacional.

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