Acionistas da Petrobras ameaçam ir à Justiça contra 'Petrosal'

Reunidos em assembléia, grupo rejeita criação de empresa estatal para o pré-sal e querem apoio da Petrobras

DENISE LUNA, REUTERS

13 de agosto de 2008 | 13h26

Se o governo delegar a uma nova estatal todos os poderes sobre o petróleo extraído da camada pré-sal pode se preparar para ações na Justiça dos atuais acionistas da  Petrobras. Pela primeira vez reunidos em assembléia, os acionistas da estatal questionaram nesta quarta-feira, 13, o diretor financeiro, Almir Barbassa, que se limitou a dizer que não iria comentar o assunto. O acionistas reagem à possível criação de uma espécie de "empresa espelho" da Petrobras para o pré-sal, apelidada pelo mercado de "Petrosal".  Veja também:Petrobras admite 'unitizar' reservas do pré-sal de TupiMaldição do petróleo não atingirá o Brasil, diz DilmaLula diz que petróleo da área pré-sal é do povoPaís pode ter o terceiro maior campo de petróleo do mundoA maior jazida de petróleo do PaísBarbassa lembrou que uma comissão interministerial foi criada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar do pré-sal e que ainda não há nenhuma definição. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, apóia a nova estatal. A preocupação do governo é garantir maior arrecadação diante da perspectiva da existência de um volume de petróleo que colocaria o Brasil entre as grandes potências produtoras. A reunião com os acionistas aconteceu um dia depois de o presidente Lula falar com todas as letras que o pré-sal "não é para meia dúzia de empresas", aumentando ainda mais a preocupação em relação ao tratamento que será dado à nova área. Possuem blocos na área do pré-sal, além da Petrobras, a Shell, Amerada Hess, Galp, Repsol, BG e Exxon. "Pode ir para o Supremo (Tribunal Federal) e se alongar durante muito tempo, sim", disse à Reuters o presidente da Apimec/RJ, Luiz Fernando Lopes Filho, após a assembléia, referindo-se à possibilidade de criação de uma nova empresa para o pré-sal. "Tem gente inclusive da própria oposição ao governo comungando com isso, que devemos aproveitar esses recursos extraordinários para investir em educação. Como disse ontem o Tasso Jeiressati...há um complô formado para isso", complementou. O presidente da Apimec ressaltou no entanto, que "a Petrobras sabe defender bem seus acionistas e deve encontrar uma solução que agrade a todos".  Em reunião com a diretoria na quarta-feira, Lopes Filho prevê reunir a opinião também de outros diretores para fechar uma posição na entidade. Ele lembrou que a Petrobras tem "dezenas de milhares de investidores dentro e fora do País, inclusive os grandes fundos de pensão mundiais, e por isso tem que zelar pelo interesse dos que estão apostando na empresa", afirmou. Durante o evento, depois de sucessivas perguntas sem resposta por parte de Barbassa, um dos mais antigos acionistas da empresa Gilberto Esmeraldo, membro da Apimec, conclamou a Petrobras a se aliar à Apimec contra a criação da estatal. "Infelizmente, deverá ser aprovada (a estatal), mesmo contra o voto corajoso de Gabrielli", disse Esmeraldo da platéia ao diretor, referindo-se a rumores sobre a resistência do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, em aceitar uma empresa concorrente. "Minha sugestão é que Apimec e Petrobras se unam em defesa do acionista para protestar contra o pré-sal, a Petrobras tem direito adquirido no pré-sal", afirmou. A indústria petrolífera no Brasil - cerca de 70 empresas, muitas representadas pelo Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP) - também é contrária à criação da "Petrosal". Na avaliação do IBP, para o governo conseguir mais recursos com o petróleo do pré-sal bastaria aumentar o valor dos royalties e participações especiais nos blocos da região, sem alterar a lei para criar uma nova empresa. Os reservatórios do pré-sal podem conter bilhões de barris de petróleo e gás natural e se localizam numa faixa desde o Espírito Santo à Santa Catarina. A estimativa de reservas foi feita em apenas um bloco, o de Tupi, onde existe potencial entre 5 e 8 bilhões de barris. Especialistas, no entanto, afirmam que os reservatórios podem conter mais de 100 bilhões de barris.

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