Acionistas minoritários da Petrobrás se mobilizam, mas perdem

Em ação inédita, grupo tentou tirar dos conselhos de administração e fiscal os empresários Jorge Gerdau Johannpeter e Josué Gomes da Silva

Sabrina Valle, da Agência Estado,

19 de março de 2012 | 22h45

RIO - Acionistas minoritários da Petrobrás deram nesta segunda-feira uma mostra inédita de mobilização em assembleia da companhia, apresentando candidatos próprios para vagas de conselho de administração e conselho fiscal.

Reclamavam basicamente as cadeiras hoje ocupadas pelos empresários Jorge Gerdau Johannpeter, da Gerdau, e de Josué Gomes da Silva, filho do ex-vice-presidente José Alencar, representantes, respectivamente, de minoritários com ações sem direito a voto (preferencialistas) e com direito (ordinaristas).

Ambos foram reeleitos com cerca de 1.400 bilhão de ações, ou cerca de R$ 35 bilhões de capital. Com respaldo de fundos de investimento nacionais e estrangeiros, os minoritários não conseguiram eleger seus candidatos por causa do voto de fundos de pensão Previ (Banco do Brasil) e Petros (Petrobrás) e do BNDESPar, empresa de participações do banco estatal, que apoiam os indicados pelo controlador (governo), mas votam na condição de minoritários.

No entanto, a quantidade de votos teve simbolismo por mobilizar cerca de R$ 7,5 bilhões de capital votante, cerca de 300 milhões de ações ordinárias, considerando o papel a R$ 25. Foi a primeira mobilização de peso dos minoritários da estatal.

"O valor é altamente expressivo dada a burocracia envolvida. Foi a primeira tentativa de investidores do mercado de capitais de indicar um representante. No ano que vem esperamos que os debates surtam efeito", disse o vice-presidente da Amec e ex-presidente do IBGC, Mauro Cunha, candidato do grupo minoritário para a vaga ordinarista do conselho de administração.

Reunidos em torno da gestora de recursos BlackRock, detentora de 5% das ações preferenciais da companhia e 2,15% do capital total, minoritários indicaram quatro candidatos próprios independentes. O grupo é composto basicamente por fundos nacionais e estrangeiros.

Representação

Alguns acionistas individuais aderiram à causa no último minuto na assembleia, enquanto outros não estavam a par da mobilização e votaram para referendar as indicações tradicionais dos fundos.

Apesar de considera-los profissionais capacitados ao cargo, os minoritários dizem não se sentirem representados por eles, dadas as ligações que têm com o governo (controlador). Gerdau é fornecedor da Petrobrás e representa o governo em outras companhias, como a BR Distribuidora. Silva, além das ligações de parentesco (é filho do ex-vice-presidente José Alencar), herdou o cargo após a renúncia de Fábio Barbosa, que também representa o controlador em outras companhias.

Na assembleia, acionistas também chamaram atenção para o fato de que Gerdau e Silva não terem tido os nomes indicados formalmente para a votação, como mandam as regras. Geralmente a indicação é feita por um representante da Petros ou Previ. Para os minoritários, isso mostra o desconforto dos fundos com o que consideram um flagrante conflito de interesses. "É o controlador votando como minoritário e elegendo um representante de controlador como se fosse representante de minoritário", disse o acionista individual José Soriano.

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