Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Ações da Eletropaulo operam em forte alta após oferta da Energisa

Às 16h12, ações da Eletropaulo subiam 11,99%; proposta deve agitar movimento de fusões no setor de distribuição

Fátima Laranjeira e Luciana Collet, O Estado de S.Paulo

06 Abril 2018 | 15h04

Após o conselho de administração da Energisa aprovar a realização de oferta pública voluntária para aquisição do controle da Eletropaulo Metropolitana, as ações da Eletropaulo apresentam forte alta no pregão da Bolsa. Às 14h30, os papéis subiam 11,99%, negociados a R$ 21,56.

Foi aprovado ainda o compromisso de, caso a oferta seja bem-sucedida e a Energisa adquira o controle, aprovar aumento de capital na Eletropaulo, no valor de, pelo menos, R$ 1 bilhão. 

+ Eletropaulo fecha acordo com Eletrobrás sobre disputa judicial

A Energisa detalha que, conforme informações públicas disponíveis, o capital social da Eletropaulo é de R$ 1,323 bilhão, representado por 167.343.887 ações ordinárias. E diz que está disposta a adquirir, no âmbito da oferta, até a totalidade das 167.343.887 ONs, negociadas na B3, excluídas as ações da Eletropaulo mantidas em tesouraria.

A possível aquisição do volume total das ações ordinárias de emissão da Eletropaulo implicará o desembolso máximo de R$ 3,243 bilhões pela Energisa, não considerado neste montante as taxas e comissões, entre outros. Para a aquisição das ações na oferta, a companhia contratou linha de crédito junto ao Banco Citibank.

+ Elena Landau diz que privatização da Eletrobrás pode morrer sem venda de distribuidoras​

Movimentação no mercado.  A oferta anunciada ontem pela Energisa deve gerar uma competição entre grandes grupos elétricos pelo ativo, influenciando também outros processos de fusão e aquisição no segmento de distribuição que estão em andamento.

Analistas de mercado que acompanham o setor elétrico dão como certo que outras empresas também interessadas na Eletropaulo devem apresentar lances ainda mais agressivos, gerando competição, possivelmente intensa. Nomes como Enel, Equatorial e CPFL Energia são citados como tendo interesse da distribuidora paulista e devem se movimentar para preparar suas próprias propostas. "Os termos do negócio ainda podem melhorar, dependendo da competição", disseram os analistas do UBS Marcelo Sá e Fernando Zorzi. Eles lembram que os potenciais compradores terão de ser rápidos se eles quiserem comprar efetivamente a companhia, tendo em vista o curto prazo dado pela Energisa até a data do leilão, marcado para 7 de maio.

+ Para Pedrosa, Dyogo no comando do BNDES deve acelerar privatização da Eletrobrás

A italiana Enel já havia admitido interesse pela Eletropaulo e se movimentava para obter uma participação importante da companhia. Conforme antecipou o Broadcast, a empresa apresentou uma proposta para levar a fatia da AES na distribuidora, que funcionaria como "âncora" para a oferta subsequente de ações (follow on) que a distribuidora vem planejando, prevista para permitir a saída do grupo norte-americano e ao mesmo tempo levantar capital para suas obrigações futuras, inclusive o pagamento de parcelas do acordo celebrado mês passado com a Eletrobras para encerrar uma disputa judicial.

Segundo fontes, a gestora GP Investment e as elétricas Equatorial e CPFL Energia estavam se preparando para fazer uma proposta concorrente à da Enel. Agora, as três elétricas devem se concentrar em uma oferta concorrente à da Energisa.

+ Privatização da Eletrobrás não pode ser com pressa nem aumento de tarifa, diz Rabello

Eletrobras e Light. Caso a Energisa seja bem sucedida em seu movimento de aquisição da Eletropaulo, a avaliação de analistas é de que a companhia sairá da disputa pelas distribuidoras da Eletrobras, cujo leilão está previsto para 21 de maio. "Na nossa avaliação, Eletropaulo seria uma grande aquisição para Energisa, reduzindo sua habilidade de disputar outras distribuidoras", disseram os profissionais do UBS, considerando que esse movimento beneficiaria a Equatorial, outra empresa que tem se colocado como potencial compradora das concessionárias de distribuição da estatal.

A avaliação contrária também é válida: se a bem-sucedida na disputa pela Eletropaulo for a Equatorial, a beneficiada seria a Energisa na competição por ativos da Eletrobras, já que a Equatorial também tem um volume de recursos disponíveis para expansão mais limitados.

+ Eletrobrás reverte lucro e tem prejuízo de R$ 1,726 bilhão em 2017

A saída de qualquer uma das duas - Equatorial ou Energisa - de qualquer forma tende a ser ruim para o governo, que corre contra o tempo para vender as distribuidoras das Eletrobras, tendo em vista que a ausência de interessados em alguma das seis distribuidoras até o final do semestre deve levar a estatal a realizar sua liquidação.

Observadores avaliam, porém, que a Eletropaulo tende a atrair apetite maior de grandes grupos internacionais, com mais capital disponível para concluir a compra, caso de Enel e CPFL Energia, controlada pelos chineses da State Grid, enquanto Energisa e Equatorial dependem de reforço financeiro para a operação, possivelmente um aumento de capital.

+ Eletrobrás lança plano de demissão consensual com meta de desligar 3 mil

Um analista de um grande banco, que falou na condição de anonimato, sugeriu, por sua vez, que a conclusão da venda da Eletropaulo favoreceria a venda da Light, uma vez que tira da mesa um ativo atrativo, dada sua localização estratégica - atendendo a região metropolitana de São Paulo. Desde o ano passado, a Cemig, controladora da Light, tenta concluir a venda de sua fatia da distribuidora fluminense, mas as negociações se arrastam. Entre os interessados estão a Enel e a Equatorial. A intenção da Cemig é concluir a operação até novembro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.