Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Ações da Pepsico sobem com notícia sobre interesse de fundo de brasileiros

Fundo 3G, capitaneado pelos fundadores da Ambev, já comprou a Heinz e estaria de olho em outros ativos

O Estado de S. Paulo

07 de janeiro de 2015 | 20h20

Uma reportagem do Wall Street Journal sobre o suposto interesse do fundo 3G Capital - capitaneado pelos brasileiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, fundadores da Ambev - por uma fatia da gigante de alimentos e bebidas Pepsico fez a ação do conglomerado ter forte alta nesta quarta-feira. Os papéis subiram 2,9%, para US$ 95,73, com a possibilidade da chegada do novo sócio.

Com valor de mercado de US$ 140 bilhões, a gigante global Pepsico poderia ser adquirida em fatias - com a venda de algumas de suas divisões - pela 3G. Investidores vêm cobrando da companhia algumas mudanças em seu modelo de negócio, como a separação do rentável negócio de salgadinhos da divisão de bebidas, já que as vendas de refrigerantes estão em queda em várias regiões do mundo.


O fundo 3G já comprou outro símbolo americano do mercado de alimentos, a fabricante de molhos Heinz, em um negócio de US$ 28 bilhões fechado em fevereiro de 2013. A compra teve a participação do megainvestidor americano Warren Buffett, que comanda a companhia Berkshire Hathaway. Buffett se aproximou de Lemann no fim dos anos 90, quando ambos participavam do conselho de administração da Gillette.

A rede de lanchonetes Burger King, outro símbolo dos Estados Unidos, também pertence ao fundo capitaneado pelos brasileiros desde outubro de 2010. Mais recentemente, o 3G adquiriu a rede canadense Tim Hortons e fundiu as duas empresas. Com as duas marcas, o 3G passou a controlar a terceira maior empresa de fast-food global, atrás de McDonald’s e KFC.

Dinheiro novo. A disposição do 3G Capital de fazer uma grande compra teria sido reforçada, de acordo com o WSJ, pelo fato de investidores terem se comprometido a aportar US$ 5 bilhões no 3G. Segundo a reportagem, a Pepsico é um dos alvos, mas outras companhias, como a fabricante das sopas Campbell, também estariam no radar. A reportagem aponta que a Kellogg e a Kraft Foods - ambas avaliadas em cerca de US$ 20 bilhões - também poderiam ser alvos.

As informações sobre as negociações não foram confirmadas oficialmente nem pela Pepsico nem pelo 3G Capital.

Ainda de acordo com a reportagem, dado o tamanho da Pepsico, o 3G Capital estaria disposto a ficar só com uma fatia do negócio. Para conseguir fazer frente ao valor da aquisição, o fundo poderia recorrer aos sócios belgas na gigante global de bebidas AB InBev.

Isso não quer dizer que a nova aquisição seja feita no curto prazo, já que o 3G costuma estudar seus alvos por anos antes de fazer uma oferta, aponta o Wall Street Journal. O jornal lembrou que o fundo tem a reputação de reduzir agressivamente os custos das empresas que adquire. /COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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