Stone/ Divulgação
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Ações da Stone caem 34% na Nasdaq após resultados abaixo do esperado

Empresa de maquininhas de cartão teve queda de 52% no lucro no terceiro trimestre e apresentou problemas com o serviço da oferta de crédito

Matheus Piovesana, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2021 | 19h11

Entre as empresas de maquininhas de cartão brasileiras listadas em bolsa, a Stone apresentou no terceiro trimestre os dados mais indigestos, a julgar pela reação do mercado. Nesta quarta-feira, 17, sua ação recuou 34,62% na Nasdaq, em Nova York, onde a empresa é listada, varrendo cerca de R$ 18,7 bilhões (US$ 3,4 bilhões) em avaliação de mercado. 

Apesar de ter crescido na adquirência (como é chamado o serviço de maquinhas), seu principal negócio, a Stone ainda tem pouca clareza sobre quando vai voltar a conceder crédito na mesma escala de antes, o que contrariou as expectativas.

A companhia apresentou lucro líquido ajustado de R$ 132,7 milhões no terceiro trimestre, queda de 54% em um ano, graças à baixa do valor contábil de seu investimento no Banco Inter e à torneira fechada na vertical de crédito. 

No segundo trimestre, a Stone parou as concessões de crédito após as falhas do registro de recebíveis (valores que os comerciantes têm a receber), um dos pilares para o funcionamento pleno dos produtos. O plano é voltar - a questão reside no "quando".

"Vamos começar a testar o crédito em pequena escala em breve", disse o CEO da Stone, Thiago Piau, em teleconferência com analistas, realizada na noite de terça-feira. 

A empresa está reestruturando o produto de oferta de crédito para que ele dependa menos do registro de recebíveis, que de acordo com fontes, ainda apresenta problemas.

"As melhorias serão a inclusão de garantias pessoais dos proprietários de negócios e outros negócios que eles possam ter, uma melhor avaliação de risco através de dados adicionais e a implementação de pagamentos mínimos e máximos mensais", disse a executiva responsável pela estratégia da Stone, Lia Matos.

Durante a teleconferência, Matos e Piau não deram detalhes sobre quanto tempo deve demorar até que a Stone consiga retornar aos antigos patamares de concessão de crédito. Ao Estadão/Broadcast, o presidente da empresa, Augusto Lins, disse que o retorno deve ser gradual. 

"Eu entendo que a gente começa a desembolsar (crédito) a partir do primeiro trimestre (de 2022), com um aumento do volume a partir do segundo", disse.

A falta de projeções (guidance) para esse e em outros pontos desagradou ao mercado. "A administração da companhia espera pequenas tentativas de emprestar dinheiro nos próximos trimestres, mas nenhum guidance de contribuição significativa do crédito (para os lucros) foi fornecido", escreveram Domingos Falavina, Guilherme Grespan, Yuri Fernandes e Marlon Medina, do JPMorgan, em relatório a clientes.

No terceiro trimestre, a carteira de crédito da Stone caiu de R$ 1,998 bilhão para R$ 1,591 bilhão, diante da paralisação nas novas concessões. A inadimplência chegou a 29% do total, considerados empréstimos sem nenhum pagamento, ou a 48%, se incluídos os empréstimos onde apenas os juros estão sendo pagos.

Futuro

A leitura que predominou entre analistas de diferentes casas é de que o balanço da Stone desenhou um futuro pouco animador. A alta da Selic deve ter sobre a companhia o mesmo efeito visto nas rivais, ao aumentar o custo de captação dos recursos necessários para financiar operações como as de adiantamento de recebíveis.

"Os resultados da Stone no terceiro trimestre foram fracos e, em nossa visão, trazem um risco de baixa para as nossas projeções para a empresa nos próximos anos", escreveram os analistas Marco Calvi, Karoline Correia, Pedro Leduc e Mateus Raffaelli, do Itaú BBA.

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