Ações do Fed visam ajudar os EUA, não a Europa, diz BC de Nova York

O presidente da instituição explicou que fornecer dólares a bancos europeus é do interesse dos Estados Unidos, embora vise combater a crise da dívida na Europa

Álvaro Campos, da Agência Estado,

16 de dezembro de 2011 | 16h22

WASHINGTON - O presidente do Federal Reserve de Nova York, William Dudley, disse nesta sexta-feira, 16, que o programa anunciado pelos principais bancos centrais do mundo para fornecer dólares a bancos europeus é do interesse dos Estados Unidos, embora vise combater a crise da dívida na Europa.

"Não se trata de ajudar a Europa, se trata de ajudar a nós mesmos", comentou Dudley durante uma audiência em um subcomitê de fiscalização da Câmara dos Representantes, quando questionado sobre o impacto da crise europeia nos EUA. Alguns legisladores, especialmente republicanos, estão preocupados que o Fed esteja ajudando bancos europeus com o dinheiro dos contribuintes norte-americanos.

Sob o acordo renovado em 30 de novembro, bancos centrais estrangeiros podem tomar dólares emprestados do Fed a um custo mais baixo. Segundo Dudley, em última instância esse acordo ajuda a dar suporte para a atividade econômica e o mercado de trabalho nos EUA.

Dudley afirmou que não espera que o Fed adote novas medidas para ajudar a combater a crise europeia. "Na verdade, eles têm que resolver esse problema, do ponto de vista do Fed", afirmou em resposta a um questionamento do deputado republicano Patrick McHenry, presidente do subcomitê. O parlamentar havia perguntado se o Fed ajudaria os bancos dos EUA ao comprar as dívidas europeias detidas por essas instituições.

Embora não tenha descartado totalmente essa hipótese, Dudley afirmou que as condições para isso acontecer seriam "extraordinariamente altas". Segundo ele, o Fed teria autoridade legal para fazê-lo, mas nunca comprou grandes quantias de dívidas soberanas estrangeiras.

Questionado sobre o que aconteceria aos EUA se a Europa entrasse em uma recessão profunda, Dudley afirmou que haveriam "consequências significativas". As empresas e o mercado de trabalho dos EUA seriam afetados, porque diminuiriam as exportações para a segunda maior área econômica do mundo. Os bancos americanos também sofreriam, em razão da grande exposição à zona do euro.

Dudley comentou ainda que, embora muito lentamente, os líderes europeus estão adotando as medidas certas para resolver seus problemas de dívida, que são de natureza política. Segundo ele, no geral os 17 países do bloco não são insolventes e seus níveis de dívida pública são comparáveis aos dos EUA.

As informações são da Dow Jones.

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