Acordo anticrise da UE prejudica bancos, diz associação da Itália

Para o presidente da ACRI, que reúne os maiores investidores institucionais do país, acordo protege interesses da França e penaliza os italianos

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

31 de outubro de 2011 | 14h53

Os planos da Europa para impulsionar o sistema bancário beneficiam injustamente os bancos franceses e prejudicam as instituições de crédito da Itália, afirmou Giuseppe Guzzetti, presidente da Associação de Bancos de Poupança (ACRI, em inglês), que reúne os maiores investidores institucionais do país.

"Eu estou furioso, porque nós estamos protegendo os interesses da França e penalizando os italianos", declarou Guzzetti, durante conferência em Roma.

 

Muitos bancos de poupança da Itália transformaram-se em fundações, e Guzzetti é presidente da Cariplo, uma fundação que é um dos maiores acionistas do Intesa Sanpaolo, o maior banco da Itália em ativos domésticos.

Guzzetti estava se referindo à exigência para que todos os bancos europeus elevem sua taxa de capital core Tier 1, uma medida regulatória importante, e aceitem um haircut nos bônus governamentais que possuem, caso isso seja necessário.

Os bancos italianos tiveram de levantar mais de € 14 bilhões para cumprir as novas exigências de capital, muito mais que os franceses ou os alemães, de acordo com a Autoridade Bancária Europeia (ABE). No início do ano, os bancos precisaram levantar outros € 10 bilhões em capital.

A França e a Alemanha realizaram enormes intervenções para evitar a falência de seus bancos, depois de eles terem investido pesadamente em créditos mal precificados e de alto risco, enquanto a Itália não fez isso, visto que seus bancos não fizeram as mesmas operações ruins, afirmou Guzzetti.

"No entanto, agora são esses mesmos países - França e Alemanha - que estão escrevendo a nova regulamentação bancária", acrescentou.

De acordo com as regulamentações prudenciais anteriores, os bancos podiam considerar os bônus governamentais de qualquer país da zona do euro como ativo livre de risco, significando que eles não tinham que reservar capital.

Agora, as novas regras da ABE exigem que esses bônus sejam marcados a mercado. A quantidade de bônus governamentais italianos detidos pelos bancos do país totalizam cerca de 150% de sua taxa core Tier 1. Visto que os bônus italianos perderam seu valor no contágio decorrente da decisão da União Europeia para que os detentores da dívida grega aceitem um haircut nos bônus da Grécia, os bancos da Itália precisam levantar mais capital.

Segundo esquema da ABE, os grandes bancos franceses, como o BNP Paribas e o Société Générale, têm de levantar capital apenas levemente maior que o Banca Monte dei Paschi di Siena, que tem um balanço menor e exposição insignificante à Grécia. Isso é porque o Monte dei Paschi possui bônus do governo italiano e usa uma metodologia mais conservadora para medir riscos.

As informações são da Dow Jones.

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