Acordo de compra da Gavilon pela Marubeni atrasa--fontes

A conclusão do acordo de compra da trading de grãos norte-americana Gavilon pela japonesa Marubeni Corp's atrasará em pelo menos dois meses, por conta de negociações sobre importante terminal exportador na costa oeste e revisões de reguladores que seguram um acordo de 5,6 bilhões de dólares, disseram pessoas com conhecimento sobre o assunto.

JAMES TO, Reuters

23 de agosto de 2012 | 12h32

A maior aquisição da Marubeni a colocará entre as principais tradings globais de grãos e em posição para atender à crescente demanda da China, onde órgãos reguladores antitruste também estão de olho na transação.

Nos Estados Unidos, o principal ponto para o acordo está em como lidar com os vínculos entre a Gavilon e a gigante de grãos Archer Daniels Midland, que juntas são as principais proprietárias da Kalama Export Company, um dos maiores terminais da costa oeste dos EUA.

A conclusão da transação, inicialmente prevista para setembro, não deverá ocorrer até novembro, uma vez que autoridades dos Estados Unidos e da China estão avaliando as implicações da aquisição, de acordo com fontes, que falaram sob condição de anonimato.

Elas disseram que o atraso não teve nada a ver com preocupações de concentração sobre a propriedade de elevadores de grãos dos Estados Unidos ou devido à resistência em ter uma companhia estrangeira adquirindo ativos nos EUA.

"São apenas procedimentos regulatórios. Não é nada significativo", disse uma pessoa familiar com o assunto.

O porta-voz da Marubeni declinou comentar a questão.

OPERAÇÃO COMPLICADA

Os vínculos entre a Gavilon e a ADM já eram conhecidos pela Marubeni quando ela anunciou a compra da trading de grãos dos EUA, mas as conversas sobre o futuro relacionamento estão levando mais tempo que o esperado, disse uma outra fonte.

A ADM e a Gavilon têm, cada uma, fatia de 45 por cento no Kalama, um terminal exportador em Washington pelo qual foram movimentados um quarto dos embarques no Pacífico em 2009. Os 10 por cento restantes são de propriedade da Mitsubishi Corp.

É possível que a ADM tenha o direito de primeiro recusar o terminal, dando a ela a opção para comprar a fatia da Gavilon na joint venture se a companhia mudar de mãos, disseram fontes do mercado.

Com o boom das exportações para a China, o terminal --que recentemente foi ampliado em 25 por cento-- é um ativo prêmio, além do que é uma das poucas vias de exportação da Gavilon.

ADM, Gavilon e Mitsubishi declinaram comentar o assunto.

O Ministério do Comércio da China precisa aprovar a venda da Gavilon para a trading japonesa, uma vez que a operação cria um dos principais fornecedores de grãos do país.

"Nós esperamos que os reguladores chineses aprovem o acordo em novembro de qualquer forma, então (o atraso nos EUA) não é uma grande coisa", disse uma das fontes.

O Ministério do Comércio da China ainda não respondeu às perguntas enviadas a respeito de seu parecer para a transação.

A Marubeni concordou em pagar cerca de 3,6 bilhões de dólares e a assumir uma dívida de 2 bilhões da trading de grãos dos EUA, colocando o total envolvido na transação em 5,6 bilhões de dólares.

(Reportagem adicional de Emi Emoto, em Tóquio)

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