Adubo: entregas são recorde em outubro; setor tem leve queda no ano

Porto Alegre, 25 - Os fabricantes de adubos registraram um recorde em outubro nas entregas do insumo no País, com 3,118 milhões de toneladas. O volume é 0,5% superior ao registrado em outubro de 2003 e representa crescimento de 3,7% ante setembro. A produção nacional de fertilizantes somou 18,846 milhões de toneladas entre janeiro e outubro deste ano, com uma pequena queda ante as 18,970 milhões de toneladas do mesmo período de 2003. Apesar do recorde em outubro, o setor projeta um desempenho estável em 2004, em relação ao ano passado, quando as vendas atingiram 22,8 milhões de toneladas no País, disse o vice-presidente da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), Torvaldo Marzolla Filho, que divulgou os números do setor. Os aumentos no valor de matérias-primas e nos custos do setor, inclusive com tributos, limitam o crescimento, analisou o dirigente. Os fertilizantes tiveram reajuste de preços em torno de 30% no último ano, acompanhando a valorização das matérias-primas, que subiram de patamar como o petróleo, explicou ele. Embora o mês de outubro tradicionalmente seja o melhor mês de entregas, o recorde de vendas registrado no mês foi gerado, em parte, por um atraso na definição das compras pelos produtores, que esperavam a confirmação da isenção da Cofins incidente no setor e a definição de preços entre a soja e o milho para planejar a lavoura, avaliou o vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Adubos do Rio Grande do Sul (Siargs), Paulo Milan. Ao comentar a crítica de federações de agricultura de vários Estados, que discutem a suspensão temporária da compra de insumos para forçar uma negociação de preços com os fabricantes, Marzolla citou que o Rio Grande do Sul, por exemplo, importa 100% das matérias-primas, cotadas a preços internacionais. "Isso seria igual a parar de alimentar-se, porque o adubo é o alimento da planta", disse ele, sobre a proposta de interromper as aquisições. "Estamos num impasse para os próximos anos, que vão ser de acomodação no preço das commodities", comentou Milan. O setor de fertilizantes espera um "ano difícil" em 2005 em decorrência dos preços agrícolas que deve ser no máximo estável em relação a 2004. No Rio Grande do Sul, há expectativa de aumento de 5% das vendas este ano. Em 2005, o ritmo não deve ser o mesmo, podendo ficar em torno de 2,5%, estimou ele. Nos últimos dez anos, o setor cresceu, em média, 8% ao ano, conforme a Anda. Para discutir os entraves e as perspectivas da produção, a entidade promoverá, no dia 30 de novembro, o Fórum Brasileiro de Fertilizantes em São Paulo, em parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), informou Marzolla.

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