Divulgação/Tigre
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Advent compra 25% da Tigre por R$ 1,35 bilhão, de olho em marco legal do saneamento

Empresa líder em tubos e conexões no mercado brasileiro usará todo o dinheiro para a expansão dos negócios, seja por aquisições ou construção de novas fábricas

André Jankavski, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2022 | 09h06

De olho no crescimento da fabricante de tubos e conexões Tigre no mercado norte-americano e também na alta do consumo desses materiais na esteira da implementação do marco legal do saneamento, o fundo Advent decidiu comprar 25% da fabricante. O valor definido para a aquisição da participação foi de R$ 1,35 bilhão, montante que irá integralmente para os planos de expansão da Tigre nos próximos anos. 

Segundo Felipe Hansen, presidente do conselho de administração do Grupo Tigre e integrante da terceira geração da família que fundou a companhia, a busca por um sócio para a companhia aconteceu para acelerar o crescimento da operação diante das oportunidades que se desenham no mercado.  “Não é uma discussão nova dentro da companhia e é um caminho estratégico que sempre foi considerado. Vimos agora como um momento oportuno”, diz Hansen.

O “namoro” com o fundo de private equity – que compra participações em empresas – durou seis meses até que o casamento fosse consolidado nesta sexta-feira. Porém, segundo Patrice Etlin, sócio do Advent, a Tigre fazia parte de um seleto grupo de empresas que o fundo considerava há tempos no topo de suas prioridades. 

O contato entre o fundo e a fabricante se intensificou na última década, já que a Tigre é uma das principais fornecedoras de materiais para a Lojas Quero-Quero, rede de materiais de construção que tinha o Advent como principal acionista entre 2010 e 2020. 

“Eles estavam procurando um parceiro para acelerar o crescimento com as oportunidades de crescimento. Com isso, o nosso relacionamento se estreitou e agora estamos concluindo a parceria”, afirma Etlin, que ocupará uma das duas cadeiras que o Advent terá direito no conselho de administração. O negócio foi intermediado pela Estáter pelo lado da Tigre, enquanto a Advent não teve assessor. 

De olho nos EUA

Em um prazo mais curto, o crescimento nos Estados Unidos se tornará um dos principais focos da Tigre. No ano passado, a empresa fez a aquisição da Dura Plastic Products, que é uma fabricante e distribuidora de conexões de PVC na Califórnia. Com R$ 1,35 bilhão em caixa, o presidente da companhia, Otto von Sothen, já está indo atrás de oportunidades de crescimento orgânico quanto de novas aquisições no mercado americano. 

As oportunidades nos EUA se concentram tanto no fato de a maioria das empresas do setor ainda ser origem familiar e sem uma marca forte e consolidada. Além disso, von Sothen acompanha o pacote de infraestrutura anunciado pelo presidente Joe Biden, que deve movimentar entre US$ 60 bilhões e US$ 70 bilhões somente no segmento em que a Tigre atua.

Além disso, no mercado brasileiro, existe a expectativa das compras para as obras do marco legal do saneamento. Segundo o presidente da Tigre, a área de tubos e conexões deve ficar com cerca de 15% dos mais de R$ 600 bilhões em investimentos previstos pelo governo federal até 2033. Por aqui, contudo, o crescimento será feito de maneira orgânica, com possíveis construções de novas plantas, dada a alta participação de mercado que a companhia possui no País. 

“Outra área que atuamos há algum tempo e enxergo com grande potencial é na área de irrigação, que é associado ao agronegócio e um negócio de exportação, o que diminui o impacto caso a economia não vá bem”, diz von Sothen.

Com o bom momento que o setor de construção civil, especialmente na área de prédios residenciais, a Tigre apresenta um crescimento robusto em 2021. No terceiro trimestre, último dado divulgado, a empresa teve alta de 51% nas vendas em relação ao mesmo período de 2020, a R$ 1,5 bilhão. Apesar disso, o lucro da empresa teve queda de 37% entre julho e setembro, a R$ 229 milhões. 

Novos sócios

Até o aporte da Advent, que será o primeiro fundo de private equity a ter uma fatia da fabricante de tubos e conexões em seus 80 anos de história, a família Hansen era dona de 100% do negócio da Tigre. Antes do fundo, no entanto, o banco Bradesco e o fundo de previdência Previ (dos funcionários do Banco do Brasil) chegaram a fazer parte do quadro societário da companhia.

Isso acabou em 2003, quando a família fundadora decidiu recomprar as ações dos antigos sócios. Segundo Hansen, porém, os fundadores não querem perder o controle da empresa nem com a entrada no Advent nem em um eventual IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês). Em outubro, a Tigre obteve o registro de companhia de capital aberto na categoria B, o que permitiu a empresa emitir debêntures no valor de R$ 600 milhões. 

“Ser majoritário é uma prerrogativa da família e não temos nenhuma intenção de sair do negócio. Ao mesmo tempo, é muito prematuro falar em um IPO”, afirma o presidente do conselho. 

O dinheiro para a aquisição da fatia da Tigre veio do último fundo levantado pelo Advent em 2020, quando captou mais de US$ 2 bilhões. Segundo Etlin, até agora, o Advent gastou cerca de 30% do valor recebido. “A média de duração dos nossos fundos está entre quatro e cinco anos”, diz o executivo.

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