Aéreas têm dificuldades com prestadora na Argentina

Em plena temporada de inverno na Argentina, as companhias brasileiras Gol e TAM e outras 24 empresas estrangeiras que operam no país enfrentam dificuldades com a única prestadora de serviços aos aviões e passageiros em terra, a estatal Intercargo. Esse tipo de empresa é conhecida como handling. Nos últimos seis dias, as companhias tiveram atrasos de horas nos embarques e desembarques, despachos e entregas de bagagem e limpeza dos aparelhos por causa de uma greve dos funcionários da Intercargo. A dificuldade acontece nos dois principais aeroportos de Buenos Aires: o de Ezeiza e o Aeroparque.

MARINA GUIMARÃES, Agencia Estado

02 de julho de 2013 | 16h57

"Depois que apresentamos uma reclamação formal, hoje (2) os serviços foram normalizados, mas não sabemos quanto tempo isso vai durar porque o conflito salarial continua", disse ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, o diretor executivo da Câmara de Companhias Aéreas na Argentina (Jurca), Horacio Oyhanarte. Ele relatou que, nos últimos seis dias, as companhias tiveram "enormes prejuízos" provocados por atrasos na prestação dos serviços.

Oyhanarte enviou nesta segunda-feira, 1, uma carta à empresa para reclamar das constantes interrupções dos serviços a todas as companhias, exceto à estatal Aerolíneas Argentinas e Austral e à norte-americana American Airlines. Os dois grupos são os únicos com autorização da Administração Nacional de Aviação Civil (Anac) da Argentina a usar os próprios serviços, sem depender da estatal. O diretor executivo da Jurca disse que as demais companhias têm condições de fazer o mesmo, mas não têm permissão das autoridades.

"Não temos nenhum problema que Intercargo tenha o monopólio, mas as companhias aéreas precisam ter alternativas para evitar esse tipo de situação que nos provoca um dano muito grande", afirmou. Oyhanarte defendeu a entrada de pelo menos uma companhia mais para competir com a Intercargo. "Seria saudável a concorrência porque o monopólio leva a essa situação dependente", opinou.

"Essa situação causa uma grande preocupação porque nossas associadas estão sendo gravemente prejudicadas em suas finanças devido às demoras na saída de seus voos, a falta de entrega de bagagem a tempo, compensações concedidas a passageiros, perdas de carga e negócios e a perda de conexões por parte de seus passageiros, entre muitos outros prejuízos", detalhou.

Tarifas

A questão das linhas aéreas com a Intercargo vai além da conjuntura de negociação salarial. "Quase todas as companhias são obrigadas a usar a Intercargo, que cobra a tarifa mais alta da região e uma das mais altas do mundo, oferecendo um serviço que não condiz com o preço cobrado", reclamou. Oyhanarte afirmou que a diferença entre as tarifas locais com as aplicadas em outros aeroportos do mundo são entre "100% a 300% superiores". O executivo disse que, apesar das altas tarifas, não há investimentos nos equipamentos, que são obsoletos e geram muitos problemas.

A denúncia da Câmara foi feita em pleno conflito entre e a Intercargo e a LAN Argentina por diferenças em relação às tarifas. Em maio, a LAN foi obrigada a cancelar dezenas de voos e sofreu o atraso de mais de 100. Quase 13 mil passageiros foram prejudicados. A direção da Intercargo está composta por integrantes do movimento kirchnerista denominado La Cámpora, o mesmo que controla a estatal Aerolíneas Argentinas e Austral.

"A disputa de fundo é a concorrência da Aerolíneas Argentinas com a LAN, sua principal ameaça no mercado doméstico", afirmou uma fonte importante do setor. A LAN tem cerca de 30% dos voos domésticos, enquanto a Aerolíneas Argentinas e Austral têm 67%. O restante é operado pelas companhias menores. No âmbito regional, a LAN detém uma fatia importante de 40% dos voos, enquanto a Aerolíneas têm 30% e outra porcentagem semelhante é operada pela Gol. Desde 2008, quando a Aerolíneas foi reestatizada a companhia aérea acumulou perdas em torno de US$ 3,5 bilhões.

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