Diogo Moreira/AE
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Aeroviários e aeronautas descartam greve em Congonhas

Multa diária de R$ 100 mil e exigência de 80% dos trabalhadores em atividade inviabilizam greve; funcionários de solo do aeroporto ameaçam parar em janeiro

Fernando Scheller, de O Estado de S. Paulo,

22 de dezembro de 2011 | 16h56

SÃO PAULO - Depois da paralisação dos funcionários de bagagem e equipamentos de solo da TAM ter causado atraso em mais de 50% dos voos no Aeroporto de Congonhas, uma audiência de conciliação entre patrões e empregados no Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT-SP) inviabilizou uma greve dos aeroviários do principal aeroporto do País neste fim de ano, na avaliação do Sindicato dos Aeroviários do Estado de São Paulo (Saesp), ligado à Força Sindical.

Na audiência, o presidente do TRT-SP, Nelson Nazar, propôs um reajuste de 7% para os aeroviários (funcionários que trabalham em terra nos aeroportos). A categoria aceitou a proposta, mas as empresas insistem no acordo em 6,5%. Apesar de ter recomendado um reajuste maior, Nazar determinou também que pelo menos 80% dos trabalhadores estejam em atividade durante os feriados de Natal e Ano Novo (dias 23, 24, 29, 30 e 31 de dezembro). Isso, na avaliação de sindicalistas, inviabiliza o movimento de greve.

Os sindicatos dos aeroviários de Guarulhos e de Pernambuco também realizaram assembleias nesta quinta e aceitaram o reajuste de 6,5%. Com o acordo, eles não realizarão greve, informou a Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil (Fentac). Já os aeroviários do Estado do Rio de Janeiro, de Salvador, Brasília e Belo Horizonte decidiram iniciar uma paralisação por tempo indeterminado a partir das 17h30 de hoje.

De acordo com Reginaldo Alves da Souza, presidente do Saesp, de São Paulo, o impasse entre patrões e empregados deverá continuar em janeiro. Ele diz que o sindicato planeja uma nova assembleia para a semana que vem, com o objetivo de determinar os próximos passos do movimento. "Não devemos fazer nada agora, mas em janeiro, durante as férias, não teremos o mesmo impedimento", diz Souza, referindo-se ao contingente mínimo exigido pelo TRT, que também determinou multa de R$ 100 mil por dia de descumprimento.

A paralisação dos funcionários da TAM, no início da manhã, foi descrita como um "movimento pontual" por sindicalistas. "Havia uns oito representantes sindicais lá", disse uma fonte, citando que houve até empurra-empurra entre representantes de sindicatos da Força Sindical e da CUT pela manhã. Por volta das 12h, a paralisação já estava desmobilizada, depois que a TAM concordou em atender algumas exigências dos funcionários parados, como a criação do piso salarial de R$ 1.000 para a função de operador de equipamento.

De qualquer forma, o movimento do pessoal de bagagem e de equipamentos de solo teve efeitos sérios não apenas para a operação de Congonhas, mas também para o restante do País, já que o aeroporto paulistano é ponto de conexão para vários aeroportos brasileiros. Até as 18h (de Brasília), 45% dos voos previstos para Congonhas ao longo do dia registraram atrasos, de acordo com a Infraero.

Desunião. Outro problema, admite o sindicalista, é que os aeroviários da cidade de São Paulo não tem apoio total no movimento de greve, já que parte da categoria, que é representada por diferentes sindicatos - alguns ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT), outros à Força Sindical - já aceitou a proposta patronal. O Sindicato Nacional dos Aeronautas, que é ligado à CUT e representa a tripulação (comissários e pilotos), aceitou hoje o reajuste de 6,5% proposto pelo sindicato patronal, o Snea.

"Isso é contra o nosso movimento, mas infelizmente a situação é essa. Os outros sindicatos têm autonomia para aceitar propostas. Mas nós não vamos fugir da luta. Consideramos razoável a proposta do tribunal (de aumento de 7% para os trabalhadores)", diz Souza, que reclama da obrigação de manter 80% dos trabalhadores em atividade. "Isso acaba com o direito de greve no Brasil. Essa decisão inviabiliza o movimento."

'Sopa de letrinhas'. A representação dos aeroviários e aeronautas no País é complexa, uma verdadeira "sopa de letrinha" de siglas. A maior parte dos aeroviários está sob o guarda-chuva do Sindicato Nacional dos Aeroviários, ligados à CUT. No entanto, os trabalhadores de Recife, Guarulhos e Campinas têm sindicatos independentes, mas ligados à mesma central. Já os municípios de Manaus, Rio de Janeiro e São Paulo têm suas próprias representações, só que são ligadas à Força Sindical.

As entidades tomam decisões independentes. Manaus e Rio, por exemplo, aceitaram a proposta patronal inicial - de reajuste de 6,17%, equivalente à inflação pelo INPC - no início da semana. O Sindicato Nacional dos Aeronautas aceitou ontem a proposta de 6,5%, assim como os aeroviários de Recife e Guarulhos.

Texto atualizado às 18h14

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