Mathias Cramer|temporealfoto.com
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Afetada pela Lava Jato, Braskem tem prejuízo

Perdas chegaram a R$ 768 milhões no ano passado, superando estimativas mais pessimistas do mercado

Karin Sato, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2017 | 22h40

A petroquímica Braskem registrou prejuízo líquido de R$ 2,6 bilhões no último trimestre do ano passado, ante lucro de R$ 35 milhões em igual período de 2015, de acordo com resultado consolidado não auditado da companhia. No ano, as perdas chegaram a R$ 768 milhões.

O desempenho da empresa foi afetado pela provisão de multa referente ao acordo de leniência firmado no final do ano passado com autoridades globais no âmbito da Lava Jato, no qual a Braskem se comprometeu a pagar US$ 957 milhões (R$ 3,1 bilhões). Em função do acordo, enquanto conclui as avaliações necessárias de processos e controles internos, a companhia decidiu postergar mais uma vez, para 29 de março, o arquivamento das demonstrações financeiras auditadas.

O prejuízo da petroquímica superou as estimativas mais pessimistas de analistas que haviam considerado o impacto do acordo relativo a pagamentos ilícitos. Segundo o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, analistas do Itaú BBA projetavam prejuízo líquido de R$ 2,261 bilhões, enquanto os do UBS esperavam perda de R$ 2,196 bilhões.

A petroquímica apurou uma receita líquida de R$ 11,9 bilhões no quarto trimestre, 1% menor na comparação anual. Já a geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado consolidado somou R$ 2,4 bilhões, queda de 10% ante o último trimestre de 2015.

Dividendos. Questionado sobre a distribuição de dividendos, em teleconferência com jornalistas, o vice-presidente de Finanças da Braskem, Pedro Freitas, disse que a lei obriga esse pagamento em caso de lucro. “Como tivemos prejuízo, não se aplica a este caso.”

O presidente da petroquímica, Fernando Musa, disse que a empresa tem praticado uma distribuição de dividendos dentro do marco legal. Agora, a expectativa é de busca de uma “distribuição adequada e otimizada conforme os parâmetros de rigidez, considerando a preocupação com a alavancagem e os investimentos”. 

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