Aficionados pelo bacon não se intimidam com o maior preço em 30 anos

Preço do bacon no varejo aumentou 10% em 2014 nos EUA após epidemia diminuir o número de porcos

 Megan Durisin e Fareeha Ali, Bloomberg News

07 de agosto de 2014 | 19h36

Com imagens de porcos e carnes no espeto tatuadas na panturrilha esquerda, Brian Polak faz o que pode para lidar com o alto preço do bacon, que alcançou o patamar mais alto em três décadas. Aos 41 anos, ele se declara um aficionado pelo bacon que, hoje em dia, prepara a própria iguaria em casa para ajudar a reduzir o custo.

"Não passo um único dia sem comer pelo menos um pedacinho", disse Polak, gerente de programas da AT&T que mora em Carol Stream, Illinois, em entrevista pelo telefone. "Acho que seria impossível eliminar completamente o bacon da minha dieta."

O decrescente número de porcos resultante de um mortífero vírus que se espalhou por 30 estados dos Estados Unidos desde o início da epidemia no ano passado levou o preço do bacon no varejo a aumentar 10% em 2014, chegando a US$ 13,5 por quilo em junho, valor mais alto desde 1980, de acordo com dados do governo americano. O custo da barriga de porco no atacado dobrou, chegando ao recorde de US$ 4,5 por quilo em abril, de acordo com o departamento da agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Os consumidores, como Polak, não estão reduzindo suas compras. A venda de bacon em lojas americanas analisadas pela Nielsen, empresa de medições globais com sede em Nova York, aumentou 11% nos doze meses que se encerraram em 5 de julho, chegando a US$ 4,2 bilhões. Trata-se de 40% a mais do que o consumo observado no mesmo período em 2009-2010. O custo pode chegar ao auge em agosto, disse Steve Meyer, presidente da Paragon Economics Inc., de Des Moines, Iowa, em entrevista concedida em 25 de julho.

"Não acredito que a demanda por bacon vá sofrer impacto", disse Meyer, que espera que o abatimento de porcos tenha queda de 10,5% este mês.

O abate de suínos até 2 de agosto teve queda de 4,8% em relação ao mesmo período do ano anterior após as perdas provocadas pelo mortífero vírus da epidemia de diarreia suína. O preço da carne de porco vai continuar a estabelecer novos recordes durante o resto do ano nos países que registraram epidemias do vírus, como EUA e México, disse o Rabobank International num relatório enviado por e-mail no dia 25 de julho.

O preço da carne suína magra nos mercados futuros teve valorização de até 56%, chegando ao recorde de US$ 2,94 por quilo em março na bolsa de Chicago. Desde então o contrato mais ativo caiu para US$ 2,27 o quilo. Trata-se de um aumento de 21% no ano, o terceiro maior observado entre os 22 membros do Bloomberg Commodity Index.

Os preços mais altos estão afetando a margem de lucro de restaurantes como o Panera Bread, com sede em St. Louis, Missouri, mais do que a demanda do consumidor. O preço do bacon chegou a aumentar 23% no segundo trimestre no Panera Bread em meio à escassez de suprimento, levando a uma "inesperada inflação no custo dos alimentos", disse o diretor financeiro Roger C. Matthews Jr. em apresentação de resultados financeiros feita no dia 30 de julho.

O Paddy Long's, bar de Chicago que serve cerveja e bacon, usa cerca de 315 quilos de bacon todas as semanas em itens como o sanduíche "The Bomb", recheado com embutido suíno, carne bovina e suína, enrolado em bacon doce e assado lentamente, que custa US$ 12,95. Os preços do cardápio ainda não aumentaram, mas o coproprietário Pat Berger diz que pensa em fazê-lo.

"Jamais mexeríamos numa fórmula que está dando certo para o Paddy Long's", disse Berger pelo telefone no dia 17 de julho. "É o bacon que traz todos à nossa porta."

Isto ocorre porque o bacon traz a combinação ideal de sal e gordura, disse Jennifer McLagan, de Toronto, autora de Fat: An Appreciation of a Misunderstood Ingredient, with Recipes. Este ano, 68,1% de todos os restaurantes trazem o bacon como ingrediente no cardápio, um aumento em relação aos 62,4% observados em 2005, de acordo com a Datassential, empresa de Chicago que rastreia tendências americanas.

Este ano, a produção de carne suína terá queda de 1,8%, ficando em 10,3 milhões de toneladas, disse o USDA no dia 11 de julho.

Recuperação. A produção deve se recuperar conforme o custo mais baixo da ração dá aos criadores incentivo para expandir os rebanhos, disse Michael Swanson, economista-sênior de agricultura da Wells Fargo & Co. em Minneapolis, pelo telefone no dia 22 de julho. Os produtores têm criado porcos mais pesados, o que ajuda a compensar pelo ritmo de abate mais lento. Os preços nos mercados futuros tiveram queda de 22% em julho, e o preço da barriga de porco teve queda de 34% em relação ao auge observado em abril.

Os armazéns têm estoques de bacon e, em junho, o inventário congelado chegava a 38 milhões de toneladas, quase o dobro do volume observado no mesmo período do ano anterior, de acordo com dados do USDA. O volume nos congeladores continua próximo das 40 milhões de toneladas que estavam armazenadas em fevereiro, o maior volume desde 2008. Tradução de Augusto Calil

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