África do Sul sugere que não vai declarar ‘guerra no câmbio’

Ministro das Finanças disse esperar que reunião do G-20 desenvolva ação coordenada para lidar com o problema

Álvaro Campos, da Agência Estado,

19 de outubro de 2010 | 18h52

A África do Sul sugeriu que não vai se juntar ao grupo de países que estão adotando medidas para conter a alta de suas moedas, apesar do impacto negativo que um rand forte tem no crescimento do país. O ministro das Finanças, Pravin Gordhan, disse esperar que a reunião do G-20 desenvolva uma ação coordenada para lidar com o problema.

Gordhan alertou ainda contra medidas para desvalorizar moedas com intuitos competitivos, o que, segundo ele, pode eventualmente levar a uma guerra comercial, com países estabelecendo barreiras para protegerem suas economias e empregos.

Separadamente, o presidente do banco central, Gill Marcus, disse que, embora o rand esteja sem dúvida sobrevalorizado, em parte devido às taxas de juros atraentes do país, não existe uma resposta definitiva sobre o que pode ser feito.

O rand está próximo das máximas de dois anos e meio em relação ao dólar e já subiu mais de 27% desde o começo do ano passado. Isso desencadeou pedidos do Congresso dos Sindicatos sul-africanos para que o governo force uma queda da moeda, por meio de controles de capital e cortes adicionais na taxa básica de juros do banco central, que atualmente está em 6%, após uma série de reduções.

"Não existe escolhas claras ou fáceis. Todas as opções envolvem custos significativos e efeitos colaterais, e não existem garantias que elas vão funcionar", disse Marcus.

Ontem, o Brasil elevou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre investimentos estrangeiros em renda fixa para 6%, e na semana passada a Tailândia introduziu um imposto retido na fonte de 15% sobre os investimentos de estrangeiros em bônus tailandeses. Segundo Marcus, a medida do Banco Nacional da Suíça de reduzir a aquisição de euros em julho evitou que o franco suíço subisse ainda mais, entretanto, a recente intervenção do Banco do Japão com 2 trilhões de ienes nos mercados de câmbio teve apenas um impacto marginal no iene.

Para James Lord, analista de mercados emergentes do Morgan Stanley, o risco de controles de capital serem introduzidos na África do Sul parece limitado. "Eles devem continuar a intervir no mercado de câmbio da forma que têm feito, mas isso não vai fazer uma enorme diferença", comentou. O banco central sul-africano tem aumentado continuamente suas reservas internacionais, usando inclusive transações de swap cambial de prazo mais longo.

Enquanto isso, o ministro Gordhan cobrou que os ministros das Finanças do G-20, que vão se encontrar na Coreia do Sul neste fim de semana, coloquem os interesses da economia global à frente dos interesses particulares de cada país. "O que inicialmente parecia ser um problema individual da África do Sul, Brasil e Coreia do Sul, agora é um problema global", comentou, acrescentando que depende dos "grandes players" desenvolver uma estratégia global para as moedas, se quiserem evitar desvalorizações competitivas. As informações são da Dow Jones.

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