Aftosa: missão brasileira deve ter amanhã primeira reunião na Rússia

Brasília, 20 - Missão do governo brasileiro já está em Moscou, onde deve se reunir, nos próximos dias, com autoridades do Ministério da Agricultura da Rússia para tentar reverter o embargo imposto às importações de carne bovina, suína e de frango do Brasil. A expectativa é que um primeiro encontro com os russos aconteça amanhã, 21. Pela segunda vez neste ano, a Rússia suspendeu as importações de carne do Brasil, depois que o governo confirmou um novo foco de febre aftosa no rebanho do País. Desta vez, o foco foi registrado no município de Careiro da Várzea, no Amazonas. Em agosto, o Brasil foi o maior exportador de carne bovina e suína para a Rússia e um dos primeiros de carne de frango. Cálculos do Ministério da Agricultura sinalizam prejuízo diário de US$ 4 milhões com o embargo. O grupo que está na Rússia é formado por dois funcionários do Ministério da Agricultura com experiência técnica na área de defesa animal e por um assessor para assuntos da área vegetal. O diretor do Departamento de Defesa Animal, Jorge Caetano Júnior; o responsável pelo programa de defesa animal, Jamil Gomes de Souza; e o assessor para assuntos internacionais do Departamento de Defesa e Inspeção Vegetal, Gilson Cosenza, integram o grupo. O diretor da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Antonio Camardelli, também acompanha o grupo, que é liderado pelo secretário de Produção e Comercialização do Ministério, Linneu Costa Lima. O secretário responde, no dia-a-dia do ministério, pelas políticas para açúcar, café, álcool e borracha, mas, como ministro interino, liderou, em junho, grupo que esteve na Rússia, para negociar o fim do primeiro embargo, desta vez por causa de foco de aftosa em rebanho do município de Monte Alegre, no Pará. De acordo com fontes do ministério da Agricultura, o grupo levou documentos e mapas que comprovam que não há risco sanitário nas importações do Brasil. A argumentação é que a região onde foram encontrados os animais doentes não tem autorização para exportação. Os técnicos informarão ao governo russo que a região onde foi identificado o foco no Amazonas pertence ao Circuito Pecuário Norte, onde o sistema de defesa sanitária animal está em fase de implantação, e tem classificação de alto risco para a doença. O grupo que está em Moscou enfatizará também que a região do foco é de difícil acesso e que barreiras naturais - rios, lagos, floresta amazônica e a ausência de estradas de acesso - impedem a propagação da doença. O rebanho infectado está a 500 quilômetros da atual zona livre de aftosa com reconhecimento internacional e a 350 quilômetros da área livre do estado do Pará com reconhecimento nacional. Fonte do ministério afirmou, no entanto, que causou "estranheza" o fato da Rússia suspender também as importações de frango. Só são suscetíveis à aftosa animais "biangulados", ou seja, de casco bipartido, como caprinos, ovinos, bovinos, bubalinos e suínos. O grupo também levou a Moscou documentos relativos à análise de risco para importação de trigo. Os comentários são que o embargo imposto pela Rússia é estratégia para que o governo brasileiro flexibilize as regras para importação de trigo local.

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