Aftosa: Pará vacina rebanho; campanha prorrogada até 15/dezembro

Brasília, 29 - Assustados com os prejuízos econômicos causados pela descoberta, em junho deste ano, de um foco de febre aftosa no rebanho local, os pecuaristas de Monte Alegre, no Pará, correm para vacinar seus rebanhos contra a doença. "Os pecuaristas sentiram na pele o prejuízo. Depois do foco, eles parecem estar mais conscientes", comentou a veterinária da Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), Flávia Rodrigues. Num único dia, a agência entregou 25 mil doses de vacinas aos pecuaristas da região. "Foi um recorde", comemorou. O governo do Pará vende a vacina a preços subsidiados: R$ 0,10 por dose para pecuaristas com até 50 cabeças. Até 500 cabeças, o preço é de R$ 0,50 por dose. Para pecuarista com mais de 500 cabeças, o valor é de R$ 0,95. No mercado livre, a vacina custa cerca de R$ 1,30. O prazo para vacinação terminava em amanhã (30), mas o governo local estendeu o período para 15 de dezembro, disse a veterinária. A dificuldade na distribuição das vacinas, provocada por problemas de transporte, resultou na prorrogação. Outro ponto, contou ela, é o rebanho da região do Baixo Amazonas é de 1,2 milhão de cabeças, mas os cadastros indicavam apenas 700 mil animais. O registro do foco de febre aftosa, em julho, no município de Monte Alegre, no Pará, caiu como uma bomba em Brasília. A erradicação da doença é sempre citada pelo ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, como uma das prioridades de sua pasta. "Se eu conseguir, enquanto ministro, erradicar a aftosa, estarei muito satisfeito", comenta ele ao enumerar as metas para sua pasta. O foco do Pará interrompeu um período de 34 meses sem registro da doença no rebanho do País, estimado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 195 milhões de cabeças. O último foco tinha sido registrado no Maranhão, em 2001. Outro foco, desta vez no município de Careiro da Várzea, no Amazonas, foi notificado poucos meses depois, em setembro deste ano. Essa ocorrência ainda tem efeitos práticos. A Rússia mantém suspensa, desde o dia 21 de setembro, a compra de carne produzida no Brasil, com exceção de Santa Catarina. "Ou a gente acaba com a aftosa ou a aftosa acaba com o Brasil", ressaltou Rodrigues, ao lançar, na sexta-feira passada, o "Projeto Piloto de Educação Sanitária Brasil Livre de Aftosa", em Santarém, também no Pará.

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