Aftosa: Pedro Camargo acredita que Paraguai dificulta sorologia

São Paulo, 1 - O pecuarista e ex-secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, Pedro de Camargo Neto, acredita que o Paraguai está criando dificuldades para que o Brasil obtenha a sorologia dos animais que poderiam estar com aftosa próximo à fronteira entre Paraguai e Brasil. Oficialmente, o governo paraguaio admite que são focos de rinotraqueite. "É inaceitável que o Paraguai crie dificuldades para uma sorologia", diz Camargo. Segundo ele, a atitude correta seria permitir que a sorologia fosse realizada rapidamente, inclusive auxiliando as análises e provando que se trata de rinotraqueite e não de febre aftosa. Ao invés de tentar resolver o problema rapidamente, o Paraguai está vinculando a realização de sorologia à participação de uma entidade neutra, no caso o Centro Panamericano de Febre Aftosa. Porém, o centro não tem comparecido às reuniões, o que tem atrasado o processo de sorologia. Para Camargo, a atitude do Paraguai em não realizar a sorologia rapidamente com a ajuda do Brasil é totalmente equivocada. "Parece que o Paraguai está tentando esconder alguma coisa da forma que está agindo. E o Paraguai pode precisar do Brasil no futuro e esta atitude só está dificultando uma ação rápida e enérgica neste momento de tantos boatos", explica o pecuarista Pedro de Camargo Neto. Camargo se refere ao fato de que, no boca a boca entre pecuaristas, as informações é de existem inúmeros focos, provavelmente de febre aftosa. "Apenas uma sorologia pode desmontar os boatos. É o Paraguai que deveria estar preocupado em conquistar credibilidade. O que se escuta é que a venda de vacinas no Paraguai não é compatível com índice de vacinação necessário. Vendem somente cerca de 60 % do rebanho", informa. Para o pecuarista, a fiscalização maior da fronteira ajuda, mas não resolve. "O comércio entre a fronteira seca tem mais de 400 anos e não será o exercito que vai interromper, infelizmente", disse. O delegado do Ministério da Agricultura do Mato Grosso do Sul, José Antonio Roldão, tem uma explicação para o fato do Brasil agir com cautela em relação a realização da sorologia em gado paraguaio, esperando a presença de uma terceira parte pedida pelo país vizinho. Segundo Roldão, existe na fronteira entre Paraguai e Mato Grosso do Sul um processo que ele chamou de "tensão no campo". E isto foi lembrado de forma veemente pelo ministro da Agricultura do Paraguai, Antônio Ibañez, durante reunião realizada na semana passada em Pedro Juan Caballero, da qual participou Roldão juntamente com representantes da Defesa Agropecuária do Brasil. Ibañez teria lembrado que existem muitos pecuaristas brasileiros que possuem terras no Paraguai mas que não existem paraguaios donos de terras no Brasil, lembrando que isto facilita e muito o trânsito de animais entre as fronteiras, ao mesmo tempo que cria uma tensão social entre os paraguaios, que estão se vendo cada vez mais retirados de suas terras. (segue)

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