Aftosa: proibido o trânsito de animais para fora do Amazonas

Brasília, 13 - Para evitar a propagação do foco de febre aftosa para regiões que fazem divisa com o Amazonas, o governo proibiu hoje o trânsito de animais para fora do Estado. Na sexta-feira, o Ministério da Agricultura notificou foco da doença no município de Careiro da Várzea, próximo a Manaus. Em nota divulgada há pouco pela assessoria de imprensa, o ministério informa que uma barreira fluvial foi montada na Vila do Amapari. O objetivo é impedir a saída de animais pelo Rio Madeira em direção a Rondônia, Mato Grosso e Pará. "Interditamos o trânsito de animais para o Baixo e Médio Amazonas", informou o delegado federal da Agricultura no Estado, José Rogério de Vasconcellos de Araújo. De acordo com ele, a barreira foi montada com uma embarcação da Marinha, que serve de suporte aos fiscais do ministério. "Essa embarcação será trocada por outra, de propriedade do ministério, que está vindo de Santarém para Amapari." Ele afirmou ainda que enviou ofício às Forças Armadas pedindo o apoio do Exército para reforçar o controle do trânsito de animais na região. O foco de aftosa foi detectado em propriedade com 34 bovinos, 15 ovinos e um suíno. De acordo com Araújo, as fazendas vizinhas à área infectada têm 1.127 reses, e o rebanho no município de Careiro da Várzea soma 40 mil cabeças. O estado do Amazonas tem 1,06 milhão de cabeças, entre bovinos (cerca de 90%) e bubalinos (10%). Levantamento epidemiológico foi feito para detectar se animais que estavam em fazendas vizinhas à do foco estão contaminados com aftosa. Além disso, os técnicos tentam descobrir de onde veio o vírus. Araújo avaliou que a situação está sob controle na região, considerada de risco desconhecido para aftosa. As informações são da assessoria de imprensa do ministério. Material com informações técnicas sobre o foco de Careira da Várzea já foi encaminhado para a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), ao Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (Panaftosa), aos países vizinhos e aos países e blocos econômicos com os quais o Brasil mantém intercâmbio comercial. O governo agiu rápido para evitar problemas comerciais com os principais importadores de carne do Brasil. Em julho, o surgimento de um foco da doença no município de Monte Alegre, no Pará, fez Rússia e Argentina suspenderem as importações de carne do Brasil. A rapidez na ação do governo tem uma justificativa: a região do Pará onde foram encontrados os animais doentes não tem autorização para exportação, mas a falta de informações detalhadas sobre o foco fez os dois países fecharem suas portas para as carnes do Brasil. O embargo durou cerca de dez dias e custou ao governo brasileiro uma intensa negociação com Buenos Aires e Moscou, inclusive com envio de missões aos dois países. "Para evitar o que aconteceu da outra vez (embargo), enviamos informações detalhadas sobre o foco de aftosa do Amazonas", explicou o coordenador do programa de sanidade do Departamento de Defesa Animal do Ministério da Agricultura, Jamil Gomes de Souza. No documento, o Brasil argumenta que a região pertence ao Circuito Pecuário Norte, onde o sistema de defesa sanitária animal está em fase de implantação, e tem classificação de alto risco para a doença. Toda a produção bovina destina-se ao consumo local. O presidente do Fórum Nacional de Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira, ressaltou que o governo deixou "mais do que explicado que a região do foco é de difícil acesso e que barreiras naturais - rios, lagos, floresta amazônica e a ausência de estradas de acesso - impedem a propagação da doença". No documento enviado pelo Ministério da Agricultura, os técnicos enfatizam que o rebanho infectado está a 500 quilômetros da atual zona livre de aftosa com reconhecimento internacional e a 350 quilômetros da área livre do estado do Pará com reconhecimento nacional. Para facilitar a compreensão das informações, um mapa da região foi anexado ao documento. Nogueira lembrou que técnicos do governo e da iniciativa privada realizam, até o final de setembro, um estudo sobre a situação sanitária do rebanho bovino e bubalino dos circuitos pecuários Norte e Nordeste. A intenção é avaliar o risco de febre aftosa nas duas regiões e propor ações conjuntas para erradicação da doença. Duas equipes com três técnicos cada vistoriam propriedades nos dois circuitos. Um primeiro grupo sairá do Pará e seguirá para o Maranhão, Piauí e Ceará. A segunda equipe sairá de Alagoas, passará, na seqüência, por Pernambuco, Pará, Rio Grande do Norte e Ceará.

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