Aftosa: reflexão sobre necessidade de vacinação em SC

É bastante comum não pensarmos no amanhã quando o hoje está bem. É o que está se verificando presentemente quanto ao inadequado tratamento dispensado para evitar a febre aftosa em Santa Catarina. Ou é razoável que num país das dimensões do Brasil, com mais de 160 milhões de cabeças de gado, Santa Catarina cuja pecuária tem uma pequena expressão econômica, cerca de 3% do rebanho nacional, seja o único que não imuniza contra a aftosa.Se esta conduta não representasse riscos potenciais para o setor cárneo nacional e em especial para Santa Catarina e os estados limítrofes, não teríamos porque nos preocupar.Acontece que uma reflexão racional e isenta nos conduzirá inevitavelmente para a conclusão de que o rebanho de Santa Catarina, por não ter imunidade vacinal, é muito mais vulnerável do que o dos demais estados brasileiros, logo uma ameaça real para a presença da doença.No momento em que se acentua a presença da doença no Paraguai, em pontos até próximos de Santa Catarina, não há razão para alongarmos a ameaça da ocorrência de um foco decorrente de uma política deliberada de não vacinação.A manifestação da doença em qualquer ponto do país traz prejuízos imensos, veja-se o caso recente do foco no Amazonas, que se multiplicam quando a infestação ocorre numa região onde a pecuária convive com a suinocultura e a avicultura, como é o caso do vizinho Estado.Um foco em Santa Catarina acabaria com os mercados externos da nossa carne bovina, suína e até a de aves, conquistados a duras penas. O Brasil não pode interromper a obtenção do crescente superávit comercial, onde o setor cárneo tem uma participação importante.Ademais, um episódio de aftosa num Estado onde a agricultura familiar predomina geraria uma crise social de grandes proporções em decorrência de falências, desemprego e o aumento do êxodo rural.É pois chegado o momento de encararmos seriamente o tema da padronização sanitária interna, para depois estendê-la para o Mercosul. Esta é uma agenda que interessa a todos os Estados produtores de carne, governos e setor privado. E padronizar significa, antes de mais nada, reintroduzir a vacinação contra a febre aftosa em Santa Catarina, cuja decisão e execução cabe ao Ministério da Agricultura.Tal decisão deve vir acompanhada do fornecimento gratuito das vacinas para os agricultores familiares, que se enquadram nos critérios do Pronaf, como já acontece no Rio Grande do Sul desde 2001. A racionalidade aponta para a vacinação urgente do rebanho catarinense, não fazê-lo é apostar no pior.por José Hermeto Hoffmann** Ex-secretário da Agricultura do Rio Grande do Sul

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