Agência de risco ameaça rebaixar nota de confiança da França

Em resposta, o ministro das Finanças, François Baroin, tentou amenizar os temores e pediu uma maior participação do BCE na solução da crise

Reuters e Agência Estado,

23 de novembro de 2011 | 10h38

A agência de classificação de risco Fitch alertou nesta quarta-feira que, se a crise de dívida da zona do euro levar a uma deterioração econômica muito mais forte, a nota de confiança da França - rating "AAA" - correrá riscos.

Em comunicado, a Fitch informou que novas medidas fiscais do governo francês aumentaram a credibilidade do programa de consolidação do governo, mas medidas adicionais provavelmente ainda são necessárias caso a meta de déficit de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) para 2013 seja perseguida. Em resposta, o ministro das Finanças da França, François Baroin, descartou os temores do mercado de que a França será o próximo país a se tornar vítima do contágio da crise da dívida soberana da zona do euro, argumentando que o recente pico atingindo pelos prêmios (yields) dos bônus franceses é administrável.

"A evolução das taxas de juros na Europa, onde a Alemanha é uma referência - não tem nenhum impacto sobre a gestão da dívida em um país como o nosso atualmente", afirmou Baroin durante uma conferência em Paris.

Baroin afirmou que os leilões de bônus mais recentes registraram prêmios mais baixos do que os previstos no orçamento de 2012. A França leiloou no início deste mês bônus de 3 meses, pagando yield de 0,5%, enquanto o orçamento de 2012 prevê uma taxa média de 1,5%, declarou o ministro, destacando que o espaço para manobra continua "considerável".

Baroin também destacou as condições financeiras vantajosas da França nos mercados de longo prazo. Segundo ele, os bônus de 10 anos pagam remuneração de cerca de 3,5% aos investidores, mas o yield médio previsto no orçamento do próximo ano para esse título é de 3,7%. Hoje, o yield dos bônus de 10 anos da França registrou alta de 12 pontos-base, para 3,64%.

Atuação do BCE

O ministro afirmou que a melhor opção para conter a crise continua ser a de permitir que o Banco Central Europeu (BCE) intervenha no mercado de dívida. O banco não precisará necessariamente comprar dívida, porque a possibilidade de que ele possa fazê-lo será suficiente para conter a especulação do mercado, acrescentou Baroin.

Ainda assim, o ministro reconheceu que era impossível superar a forte oposição alemã ao envolvimento do BCE e admitiu as divergências persistentes entre as duas maiores economias da zona do euro sobre a forma de administrar os problemas que já duram dois anos na região.

"A Alemanha tem 70 anos de memórias de risco político decorrente do aumento da inflação e do endividamento", disse Baroin. "Há uma recusa alemã muito forte a deixar o BCE intervir no terreno da monetização, porque isso poderia levar à inflação - embora pensemos que não."

As informações são da Dow Jones.

 
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